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União Africana ameaça aplicar sanções ao Sudão

(Arquivo) Sessão de encerramento da 30ª Cimeira da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (Foto: Cortesia de Elias Tumba)

Numa altura, em que os manifestantes juntam às exigências ao julgamento de todos os antigos principais responsáveis do Sudão, entre eles, Omar al-Bashir, os militares começam a receber a solidariedade internacional de alguns países africanos e árabes, numa resposta ao apelo que lançaram, mas a União Africana ameaça suspender o país, caso no prazo de 15 dias, o poder não seja entregue aos civis

De acordo com o JA, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana exigiu aos militares, que promovam no prazo de 15 dias, a passagem do poder para uma autoridade civil, sob pena de incorrerem em sanções que podem levar à suspensão temporária do Sudão de membro da organização.

Esta posição da União Africana, um verdadeiro ultimato, surge depois de um primeiro comunicado emitido no dia a seguir ao golpe de Estado, em que criticava a forma como os militares chegaram ao poder e que no seu entender, contraria a lei internacional e as disposições da própria organização.

O tenente -general Jalal al-Deen al-Sheikh, membro do Conselho Militar de Transição, encontrou-se hoje de manhã, em Addis Abeba, com o Primeiro-Ministro etíope, tendo-lhe dito, numa resposta indirecta ao ultimato da União Africana, que já estava em marcha o processo de escolha e nomeação de um líder civil, para a formação de um Governo provisório.

“Iniciamos o processo de transição do poder, para um Governo civil, ainda antes de sabermos da decisão do Conselho de Paz e Segurança, pelo que consideramos estar no bom caminho, no respeito as leis internacionais”, disse o responsável no final do encontro com Abiy Ahmed, que decorreu na mesma cidade onde está instalada a sede da União Africana.

A Reuters referia ontem de manhã, que o líder do Conselho Militar de Transição, Abdel Fattah al-Burhan, recebeu telefonemas de solidariedade da parte do emir do Qatar, rei da Arábia Saudita, Primeiro-Ministro da Etiópia e do Presidente do Sudão do Sul.
A Reuters prossegue, que os telefonemas foram para exprimir a solidariedade para com o povo sudanês e para manifestar a disponibilidade em ajudar a manter a paz e a estabilidade, “neste delicado momento da história do país”.

Na véspera, a chanceler alemã Angela Merkel comentou publicamente a situação no Sudão, apelou, na ocasião, para uma “rápida transferência do poder para um Governo civil de transição”.

Também o Presidente do Egipto, Abdel al-Sisi, pronunciou-se sobre a situação no Sudão, referiu a necessidade de serem dados passos positivos para a “aplicação de um programa inclusivo de reformas políticas e económicas, que promovam a estabilidade”, garantiu que o país não se vai intrometer no futuro deste país.

Julgamento dos principais responsáveis

Organizadores das manifestações que decorrem no Sudão e que levaram à queda de Omar al-Bashir, exigiram hoje ao Conselho Militar de Transição, a detenção e julgamento de antigos ministros e dos principais responsáveis do anterior Governo, entre eles, o antigo Presidente que se encontra alegadamente detido em lugar incerto.

Em resposta, os militares disseram, que todas as questões judiciais, entre as quais a eventual extradição de Omar al-Bashir para o Tribunal Penal Internacional, vão ser tratadas pelo futuro Governo, que deve ser eleito dentro de dois anos e não pelo Executivo civil que está actualmente no processo de consultas e formação.

Amjad Farid, da Associação dos Profissionais do Sudão, disse que os manifestantes vão permanecer em redor do Quartel-general do Exército, em Cartum, para “defender a revolução e impedir a permanência no poder de um regime militar”.

De acordo com a BBC, na segunda-feira ao fim da tarde, as tropas tentaram convencer os manifestantes a regressar às suas casas, revelando que após algumas horas de infrutíferas negociações tudo permaneceu na mesma, sem que tivesse ocorrido confrontos físicos.
No domingo, um porta-voz militar informou, que alguns membros do anterior Governo foram detidos, sem especificar nomes, e apelou para que os manifestantes regressassem à vida normal, de modo a que o país voltasse à normalidade.

No entanto, Mubarak al Fadil, um dos líderes políticos da oposição que está a participar nas conversações com o Conselho Militar de Transição, confidenciou à BBC que existe alguma desconfiança da sociedade civil, em relação aos oficiais que assumiram o poder, uma vez que todos eles estão, de algum modo, comprometidos com o anterior regime.

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