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Moçambique: Reclamações no arranque do recenseamento eleitoral

(DR)

Em Nampula, o recenseamento eleitoral iniciou tarde e com vários problemas, mas autoridades eleitorais garantem que os entraves não afetarão o cumprimento das metas estabelecidas.

Segundo avança a DW África, o processo de registo de eleitores, que oficialmente arrancou nesta segunda-feira (15.04.) em todo o país, está a deixar revoltados os cidadãos de Nampula, no norte de Moçambique. Em causa estão problemas técnicos com os computadores para o recenseamento e a falta de conhecimentos técnicos por parte dos operadores.

Em vários postos de recenseamento por onde a DW África passou notou que o problema era quase comum. Muitos cidadãos que saíram cedo das suas casas para se recensearem não ficaram satisfeitos com a situação.

Eleitores descontentes

Jonasse Francisco é um deles e conta: “Vim recensear, mas não consegui. Fui informado que a máquina não faz fotografia. Não gostei porque vinha recensear, não é bom que aconteçam esses problemas logo no início, é uma grande preocupação.”

Tony Cassiano recenseou-se no ano passado na vila autárquica de Monapo, mas depois mudou-se para a cidade de Nampula. E como mandam as normas nessas circunstâncias, Tony terá de fazer um novo, mas isso lhe foi negado.

“Recensiei-me fora da cidade [de Nampula], mas assim vim ter outro cartão de eleitor. Mas disseram-me que voltasse para o distrito, mas atualmente resido em Napipine [bairro da cidade de Nampula]. Não acho correcto”, lamentou.

Ruben Jorge, um outro cidadão, foi ao posto de recenseamento da Escola Primaria Parque Popular, não para se recensear, mas para obter um novo cartão, o anterior estragou-se. Conseguiu, “mas dizem que a máquina não está a tirar fotos, por isso não há adesão de muitos eleitores. Eu aconselho aos técnicos do STAE [Secretariado Técnico de Administração Eleitoral] para que passem pelos postos para aferir os problemas e resolver.”

STAE minimiza contratempos

Já as autoridades eleitorais na província de Nampula, a mais populosa do país, admitem os problemas, mas minimizam considerando-os normais e que não poderão comprometer as metas estabelecidas.

Daniel Ramos, presidente da Comissão Provincial de Eleições de Nampula, falando a jornalistas, disse que “dificuldades da primeira hora sempre vão acontecer e nós vamos resolvendo aos poucos até terminar o processo. A nossa ação agora é, primeiro, mobilizar as pessoas para afluírem massivamente e depois, contornar todas as dificuldades que tivermos ao longo do processo.”

A província de Nampula, o maior circulo eleitoral, foi atribuída a meta de recensear mais de dois milhões e quinhentos mil eleitores e terá duzentos mil eleitores mais do que a província vizinha da Zambézia, a segunda mais populosa do país.

CIP considera atrasos aceitáveis

Entretanto, segundo um levantamento feito pelo Centro de Integridade Pública (CIP) o recenseamento, de forma geral, arrancou com “tranquilidade” em 75% dos 7.737 postos de registo eleitoral. Aquela organização não-governamental (ONG) moçambicana indica que a maioria dos postos de recenseamento abriu com um atraso de uma hora em relação à hora oficial e a ONG considera “aceitável”.

A situação deveu-se à falta de eletricidade, baterias de computador sem carga ou problemas com painéis solares, explicou a ONG.

As eleições gerais de 15 de outubro de 2019 vão compreender as presidenciais, legislativas e provinciais, que, pela primeira vez, vão eleger governadores das províncias contra o atual modelo de nomeação.

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