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México: Neto de Zapata acusa Obrador de gozar com ideais do avô

Jorge Zapata González (Jorge Lopez, Reuters)

RTP

Jorge Zapata González, neto de Emiliano Zapata, acusou o Governo mexicano de fazer “chacota” dos ideais do revolucionário quando passa o centenário da sua morte.

Jorge Zapata González relembra a história do avô, 100 anos após a sua morte. A 10 de Abril de 1919, Emiliano Zapata foi traído e assassinado por um ex-aliado e, declarou o seu neto, “após 100 anos, o Governo está de novo a trair as ideias de Zapata”.

A questão levantada por Jorge Zapata está relacionada com a construção de uma central eléctrica e de um gasoduto na região de Morelos. Um projecto que tem enfrentado a contestação da população local. Inicialmente, também o chefe do Executivo mexicano, Andrés Manuel López Obrador, se opôs a este projecto. Porém, mais tarde, mudou de ideias com o argumento de que já tinham sido investidos milhões na região.
O ano de Zapata

O presidente declarou 2019 o ano de Emiliano Zapata, expressando a sua admiração pelo líder na Revolução Mexicana de 1910 contra a ditadura de Porfirio Díaz. Neste contexto, Jorge Zapata considerou que ser “uma chacota declarar 2019 o ano de Emiliano Zapata e comemorá-lo dando a água dos agricultores, na sua terra natal, às multinacionais”, fazendo “o oposto do que prometera inicialmente”.

Os opositores ao projecto de Morelos já disseram que López Obrador deixou de ser bem-vindo à região por ter traído as pessoas. “O que o presidente está a fazer é pisar-nos, como outros presidentes já fizeram”, lamentou um antigo polícia local, Yasmin Ríos, também ele um crítico do projecto.

O presidente tentou amenizar a contestação da comunidade local, mas as tensões na região voltaram a escalar quando um activista foi morto a tiro dias antes das presidenciais de 2018 que levaram Obrador ao poder.

Os procuradores do Estado afirmam que ainda estão a investigar a possibilidade do envolvimento neste assassinato do crime organizado – prática comum no México, embora o assassinato de activistas, defensores dos direitos humanos ou jornalistas raramente sejam resolvidos.

Obrador, que fez regressar ao poder a esquerda mexicana, declarou no ano da sua eleição o fim do “período neoliberal” e da corrupção no México. Tratou-se apenas de uma declaração de intenções, já que, desde que assumiu o cargo, as suas políticas tomaram um rumo decididamente conservador.

“Apelo revolucionário”

Emiliano Zapata, também conhecido por Caudillo del Sur, foi uma das figuras mais marcantes do processo revolucionário de 1910 no México, tendo reunido os camponeses sob o grito de guerra “reforma, liberdade, justiça e lei”. Este apelo revolucionário ainda ressoa num país em que os quatro ideais têm sido escassamente respeitados.

O Caudilho do Sul, figura incontornável da história do México, tem sido uma inspiração para muitos políticos da América Latina e frequentemente invocado nos discursos públicos. Por exemplo, o ex-presidente Carlos Salinas, que chamou a um dos seus filhos Carlos Emiliano, implementou um programa de reforma agrária inspirado nos ideiais de Zapata.

Vários politólogos chegaram a afirmar que o legado de Zapata é também muito importante para o atual presidente, que promoveu a sua administração como a “quarta transformação” na história do México, que se segue à independência de 1821, à reforma do Clero mexicano de 1857 e à Revolução de 1910.

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