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O que está por trás das previsões econômicas sombrias do FMI para mundo e Brasil?

(© AP Photo / Itsuo Inouye)

Um relatório divulgado no início do Abril pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que a economia global enfrentará o crescimento mais lento em 10 anos. A Sputnik Explica o que está por trás de tais previsões pessimistas e como o fundo avalia a situação no Brasil.

Na recente edição do relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês) o FMI prevê um abrandamento do crescimento global em 2019 para 3,3% em comparação com os 3,5% esperados em Janeiro deste ano.

Levando em conta que em 2017 e 2018 a economia cresceu 3,8% e 3,6% respectivamente, podemos ver que a economia global vem desacelerando com o passar dos anos, se aproximando possivelmente de uma nova crise.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, sublinha que embora se espere alguma retomada do crescimento no segundo semestre, em geral 70% da economia mundial deve desacelerar neste ano.

Confluência de factores negativos
Segundo o FMI, na primeira metade de 2019 na economia global se observa uma confluência de factores que afecta as economias principais. A desaceleração da actividade económica no segundo semestre de 2018 deve se manter na primeira metade deste ano. Na China o declínio do crescimento económico foi causado pela combinação do agravamento das condições de regulação dos bancos e das tensões comerciais com os EUA, onde, por sua vez, a relação entre a dívida das empresas e o PIB está em níveis sem precedentes.

As previsões para a Europa também são pouco optimistas: desaceleração na zona euro, queda de confiança dos consumidores e empresários, rupturas na indústria automobilística da Alemanha e redução dos investimentos em alguns países europeus. O Brexit também poderia afectar a situação nos mercados financeiros por todo o mundo.

Quanto à América Latina, as previsões de crescimento da região são de 1,4% para 2019 e de 2,4% para 2020 — o que representa 0,6 e 0,1 pontos a menos, respectivamente, que as estimativas anteriores. A situação na Venezuela afecta o crescimento da região, cujo PIB poderia cair 25% e 10% em 2019 e 2020 respectivamente. A Argentina também deveria ter uma recessão este ano, com uma queda prevista de 1,2% no PIB.

Entretanto, o FMI deixa margens para algum optimismo: na segunda metade de 2019 podemos esperar alguns avanços nos sentimentos dos mercados financeiros globais e estabilização nos mercados emergentes, incluindo na Argentina e Turquia. É de assinalar que, segundo o fundo, a tendência positiva para os mercados emergentes e em desenvolvimento deveria se manter em 2020. Pelo contrário, o crescimento nos países desenvolvidos continua desacelerando gradualmente.

Além disso, o FMI indicou três problemas que devem ser resolvidos para garantir o crescimento económico de longo prazo: aumento da desigualdade, queda de investimentos e proteccionismo no comércio global que, de facto, estão interligados.

“Nas últimas três décadas, o preço relativo de máquinas e equipamentos caiu em todos os países, impulsionado tanto pelo aumento da produtividade no sector de bens de capital quanto pelo aumento da integração comercial. Essa queda favorece ao aumento dos investimentos reais em equipamentos, beneficiando os países em desenvolvimento. O aumento das tensões comerciais pode inverter esses declínios de preços e prejudicar os investimentos quando o investimento já é fraco, o que apenas sublinha a necessidade de resolver rapidamente as divergências comerciais”, explicou Gopinath.
Situação no Brasil

Quanto ao Brasil, o FMI também reduziu suas projecções, principalmente devido ao desequilíbrio fiscal. A previsão é de crescimento de 2,1% para este ano (uma redução de 0,4 pontos percentuais em relação à estimativa feita em Janeiro).

“No Brasil a principal prioridade é conter o aumento da dívida pública enquanto mantém intactos os gastos sociais. O tecto de gastos introduzido em 2016, que incrementa o resultado primário em 0,5 pontos percentuais por ano, é um passo na direcção certa para facilitar a consolidação fiscal”, lê-se no relatório.

Além disso, o FMI destacou que, para ajudar na consolidação fiscal, “são necessárias medidas que incluem o aumento da idade das aposentadorias, a desvinculação dos reajustes do salário mínimo e dos benefícios e moderar a generosidade das pensões, particularmente para os servidores públicos”.
Entretanto, em 2020 a economia poderia inverter esse caminho: se espera o crescimento de 2,5% para 2020 (aumento de 0,3 pontos percentuais em comparação com as previsões feitas em Janeiro).

Em geral, o FMI considera a situação actual como um “momento delicado” para a economia global. Embora o ano 2019 não seja favorável, se os países implementarem a política económica necessária e lidarem com as tensões comerciais, o crescimento global poderia se recuperar já em 2020. Entretanto, sem instrumentos próprios e cooperação multilateral, o mundo poderia enfrentar uma desaceleração da economia.

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