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Nasceu bebé concebido com ADN de três pessoas

(KACPER PEMPEL)

Procedimento contou com especialistas gregos e espanhóis.

Nasceu na terça-feira na Grécia um bebé com ADN de três pessoas. O processo foi conduzido por médicos espanhóis e gregos especialistas em fertilidade, num caso que está a gerar questões éticas e morais. A mãe e a criança encontram-se bem de saúde.

O MÉTODO UTILIZADO

De acordo com o canal Sic Notícias, o menino nasceu com 2.9 quilos e é o resultado de uma forma experimental de fertilização in vitro que utiliza um óvulo da mãe, espermatozóides do pai e um outro óvulo de uma dadora.

Segundo os médicos que ajudaram a desenvolver o método, esta é uma forma de “fazer história” e ajudar casais inférteis em todo o mundo, sobretudo aqueles que são afetados por doenças mitocondriais, transmitidas da mãe para o feto.

As mitocôndrias são estruturas que se encontram dentro de cada célula do corpo. Contém enzimas, ribossomas e ADN e são responsáveis por produzir a energia necessária para todas as atividades celulares.

Nas doenças mitocondriais, estas estruturas não funcionam corretamente e só “combinando” o ADN da mãe com a mitocôndria de uma dadora é possível prevenir que a doença seja passada para o bebé.

A paciente que agora foi mãe na Grécia, uma mulher de 32 anos, tinha já recorrido a quatro tratamentos falhados de fertilização in vitro. Só com este novo procedimento conseguiu engravidar. O filho que deu à luz tem, assim, ADN de três pessoas.

A POLÉMICA

“O direito inalienável de uma mulher se tornar mãe com seu próprio material genético tornou-se uma realidade. Estamos muito orgulhosos em anunciar uma inovação internacional na reprodução medicamente assistida, e estamos em posição de tornar possível para as mulheres com múltiplos fracassos na fertilização in vitro ou doenças genéticas mitocondriais raras, de ter uma criança saudável”, disse o Presidente do Instituto da Vida em Atenas, Panagiotis Psathas, citado pela BBC.

De acordo com a equipa responsável pelo processo, há neste momento 24 mulheres a participar num teste semelhante, e existem já oito embriões prontos para serem implantados.

Em fevereiro de 2018, os médicos pioneiros na técnica deram permissão para ser gerado o primeiro bebé com ADN de três pessoas no Reino Unido, mas o procedimento gera algumas questões junto de especialistas do setor.

“Os riscos desta técnica não são totalmente conhecidos, embora possam ser considerados aceitáveis se usados para tratar doenças mitocondriais, mas não nesta situação (…) A paciente poderia ter concebido se tivesse sido utilizado mais um ciclo de fertilização in vitro padrão”, afirmou Tim Child, da Universidade de Oxford.

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