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Hidrocefalia atrofia menor de 13 anos

A falta de condições financeiras levou a família a desistir das massagens e consultas (Fotografia: Marcelino Wambo | Edições Novembro | huambo)

A história da família de Eduardo Quaresma Nugui, de 13 anos, tem sido marcada por “dor, tortura e frustração”, como definiu a progenitora, em virtude de o adolescente ter sido diagnosticado, à nascença, no Hospital Geral do Huambo, com hidrocefalia.

Segundo o JA, o drama começou quando, em 2006, Fenilson, como é afavelmente tratado, foi internado, com um mês de vida, na secção de Neonatologia com problemas de pneumonia e malária.

“A nossa vida mudou negativamente quando fomos informados do estado de saúde dele. Foi bastante duro”, contou a mãe, Joaquina Tomás Hembe Nugui.

Eduardo Nugui, por sinal o primogénito, foi submetido a uma intervenção cirúrgica, em 2007, no Hospital David Bernardino, em Luanda, para colocação de uma válvula para drenagem dos líquidos, a fim de impedir a progressão da doença, detalha a mãe, hoje viúva, desempregada e com mais três filhos para cuidar.

“A minha vida tem sido de muita dor, tortura e frustração. Há cinco anos, quando lutávamos para encontrar os melhores cuidados de saúde para o Fenilson, fomos a hospitais do Huambo, Benguela e Luanda. Entretanto, perdi o marido. Como até agora estou desempregada, fiquei sem condições para os tratamentos. Estou apenas a cuidá-lo e a vê-lo crescer com a enfermidade”, lamentou Joaquina Nugui.

“A falta de condições financeiras levou-me a desistir das massagens no Centro de Reabilitação Física Doutor António Agostinho Neto, no bairro da Bomba Alta e das consultas de oftalmologia na província de Benguela”, disse. Joaquina Nugui manifesta com “agonia e desespero o desinteresse de continuar a viver” devido à situação que enfrenta porque, apesar de receber assistência médica, o estado de saúde do filho agrava-se a cada dia.

“A hidrocefalia deixou sequelas neurológicas severas. O meu filho está paraplégico!”, lamentou sob o olhar sorridente de Fenilson, que acompanha a conversa sentado numa cadeira de plástico e com uma bola na mão.O adolescente tem feito consultas, de três em três meses, na maior unidade Sanitária do Huambo, na secção de Neurocirurgia, com um médico especialista.

“As consultas ajudam a aliviar a dor, mas com o andar do tempo, os resultados tardam a surgir”, explicou. Fenilson sempre recebeu ajuda das entidades de Saúde e de particulares, sobretudo nos momentos mais críticos e também na compra de fraldas, transporte, alimentação e bens essenciais.

Joaquina Nugui “agradece profundamente e de coração” tudo o que têm feito pela sua família ao longo dos anos e reconhece que sem este apoio não sabe onde estaria.”É difícil viver de caridade”, lembrou, enquanto recorda que um emprego poderia contribuir para resolver parte dos problemas que a família enfrenta. “Todos os dias sofremos pelo Fenilson porque, no momento da aflição, nem sempre há dinheiro”, disse.

Ainda por cima, o filho “necessita de uma alimentação cuidada” por causa do estado de saúde, facto que agrava o orçamento familiar.
A hidrocefalia, segundo explicações de um especialista de saúde, é, de forma genérica, a acumulação de líquido no interior da cabeça. A doença provoca uma pressão anormal sobre o cérebro, causando, em muitos casos, lesões no tecido cerebral em virtude do aumento e do inchaço do crânio.

A acumulação de líquidos no interior da cavidade craniana dá-se quando, por qualquer razão, existe uma obstrução à drenagem do líquido para a corrente sanguínea.

Em alguns casos registados de hidrocefalia, especialmente no Brasil e em Cabo Verde, há ligações comprovadas entre a picada do mosquito que transporta a malária, chincungunha e doenças similares (o insecto Aedes aegypti) e o aumento de casos de bebés com a doença que afecta Fenilson.

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