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Sobreviventes da enxurrada na Catumbela clamam por apoios

CATUMBELA: VALA DA TATA, LOCAL DO SINISTRO (FOTO: ANTÓNIO ESCRIVÃO)

Angop

Vinte e cinco dias depois da enxurrada que vitimou mortalmente doze pessoas e desalojou várias famílias no município da Catumbela, na província de Benguela, os sinistrados mostram-se agastados devido a alegada falta de apoio das autoridades.

Numa ronda feita esta quarta-feira pela Angop no bairro da Tata, um dos mais “castigados” pela chuva, os sinistrados, muitos dos quais perderam as suas residências ou os haveres, em função da inundação das casas, relataram que se encontram a viver em casa de familiares como indigentes, pois aqueles também não têm condições de os sustentar.

Segundo Catchikumi Segunda, que teve duas crianças falecidas na enxurrada, desde o dia 26 que recebeu 24 chapas de zinco continua sem saber o que fazer com as mesmas, porque nem espaço para construir possui.

“Aonde colocar as chapas se não existe um espaço definido pela administração, onde podemos construir (…)”, questionou.

Já Ricardo Ngola, de 49 anos de idade, que perdeu dois sobrinhos durante as chuvas, disse que acolheu em sua casa um casal e uma criança, totalizando actualmente 13 pessoas no seu agregado. Lamentou a forma em que se encontra a viver, sem um mínimo de apoio por parte das autoridades competentes.

Solicita o apoio das autoridades municipais e provinciais, no sentido de ajudarem as famílias sinistradas com alimentos, roupa, novos locais e meios para os sinistrados construírem as suas moradias.

Na mesma senda, a anciã Elisa Kaluquela, de 60 anos, que perdeu quatro netos na chuva que caiu na noite de 16 de Março, pede a ajuda das autoridades em termos de uma nova habitação, para se livrar daquele bairro que só lhe lembra “tristezas”.

“Tem sido difícil, desde o dia daquela chuva, passar a noite ao relento ou mesmo em casa da comadre, juntamente com o meu marido, filho e neto, enquanto a nora continua internada no hospital de São Pedro da Catumbela”, disse.

Alberto Mbolela Kalupeteka, morador no município da Catumbela que acolheu em sua residência igualmente duas famílias sinistradas, lamenta o desespero destas e solicita um pronunciamento das autoridades sobre os apoios prometidos.

“Essas pessoas estão a passar fome, algumas dormem ao relento, com o risco de contraírem doenças, pelo que apelo às autoridades e pessoas de boa fé que encontrem soluções rápidas para se inverter esse quadro”, enfatizou.

A chuva de 16 de Março do corrente causou a morte a 12 pessoas na Catumbela, três em Benguela e uma no Lobito, tendo deixado dois cidadãos gravemente feridos e dois desaparecidos.

As vítimas são maioritariamente menores, com idades compreendidas entre um e 16 anos. Faleceram, também, adultos dos 29 aos 53 anos.

O balanço aponta ainda para 29 residências desabadas, 56 outras inundadas e 21 árvores caídas nas várias artérias das cidades referenciadas.

Entretanto, fonte da administração municipal da Catumbela contactada pela Angop disse que estão de “mão atadas”, pois carecem de meios para apoiar os sinistrados.

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