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Chuvas torrenciais deixam rastro de morte e destruição no Rio de Janeiro

AFP

Ao menos dez pessoas morreram no Rio de Janeiro entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça (9) em inundações e deslizamentos de terra, informaram autoridades.

A região mais afetada pelo temporal foi a zona sul, onde ficam bairros turísticos como Ipanema e Copacabana, com favelas erguidas nas encostas dos morros.

Mas as chuvas também castigaram bairros populares da zona oeste, como Guaratiba, Santa Cruz e Campo Grande.

O primeiro balanço oficial, de três mortos na zona sul, reportado no início da manhã, foi aumentando à tarde, quando os bombeiros foram encontrando corpos. Três deles – de uma mulher, sua neta e um motorista – foram resgatados em um táxi que foi soterrado quando passava por uma rua, colada a uma encosta entre os bairros de Botafogo e Copacabana.

Já na noite passada, os bombeiros encontraram a primeira vítima – um homem de 30 anos, cujo corpo foi resgatado na Gávea (zona sul), onde a maior parte das ruas ficou alagada durante o temporal.

Segundo testemunhas, ele caiu de sua moto e se afogou, ao ser arrastado pela enxurrada.

No Leme, em uma das extremidades da praia de Copacabana, também na zona sul, duas irmãs, de 53 e 55 anos, e um vizinho delas morreram em um deslizamento de terra na comunidade do Morro da Babilônia.

Um porta-voz dos bombeiros confirmou ao final da tarde desta terça-feira ter resgatado os corpos de duas pessoas, que morreram afogadas em áreas inundadas na zona oeste, onde na véspera um morador também morreu eletrocutado.

– Reféns da chuva –

Em bairros como Copacabana e na favela da Rocinha, em São Conrado, o volume de chuvas nas últimas 24 horas superou os 300 mm, quase o triplo que a média aguardada para todo o mês de abril.

Segundo a TV Globo, só em Copacabana choveu 245 milímetros em questão de horas, enquanto a média de precipitações para o mês de abril não passa dos 95mm.

Muitos pedestres tiveram que escalar grades para evitar pisar na água, que em alguns lugares chegava na altura do peito, enquanto outros usaram sacos plásticos para proteger os pés.

Muitas vias ficaram intransitáveis por causa das inundações, entre elas a avenida Niemeyer, que liga os bairros do Leblon (zona sul) à Barra da Tijuca (zona oeste), passando por São Conrado.

Um trecho da ciclovia Tim Maia, construída ao longo desta avenida à beira-mar para os Jogos Olímpicos do Rio-2016, desabou – a quarta vez em três anos.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, admitiu que o município carecia do contingente de máquinas e pessoal suficiente no momento em que as primeiras emergências ocorreram.

Mas afirmou que o grande volume d’água foi inesperado e destacou a falta de recursos federais para realojar pessoas que vivem em áreas de risco.

“Muitas casas na cidade do Rio são construídas em áreas inapropriadas, em locais para onde correm as águas. Essa é uma tragédia para a qual temos tentado alertar as pessoas”, disse.

O jornal O Globo publicou em seu site um editorial denunciando o fato de os moradores do Rio serem mais uma vez reféns da chuva por causa da inércia da Prefeitura.

As chuvas que começaram na tarde de segunda-feira prosseguiram nesta terça, em menor intensidade.

Este foi o segundo temporal com vítimas fatais no Rio desde o início do ano. Em fevereiro, chuvas torrenciais e fortes ventos provocaram sete mortes e deixaram a cidade em estado de crise.

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