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Hospital do Caluquembe clama por reabilitação

Pacientes de várias partes do país acorrem ao centro hospitalar de Caluquembe que tem histórico de fazer “milagres” (Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro)

Jornal de Angola | Arão Martins | Lubango

O arranque das obras de reabilitação e apetrechamento do Hospital do Caluquembe, adstrito à Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), continua condicionado, há mais oito anos, à disponibilidade financeira, apesar de a verba, 17 milhões de dólares, já ter sido cabimentada no Orçamento Geral do Estado (OGE) em 2012.

A informação foi avançada pelo presidente da IESA, reverendo Dinis Marcolino, durante uma conferência de imprensa no final dos trabalhos da 125ª sessão do Comité Executivo da Igreja Evangélica Sinodal,que decorreram na semana passada na cidade do Lubango.

“O nosso mega projecto de reabilitação e apetrechamento do Hospital de Caluquembe e da missão local foi lançado em 2011 e teve o apoio da Presidência da República na altura. Apesar de a verba constar em duas rubricas do OGE, as obras não arrancaram até aqui porque a verba ainda não foi disponibilizada”,disse, acrescentando que “o projecto foi elaborado, reelaborado e discuti-do em vários departamentos ministeriais em Luanda.”

O reverendo informou que o projecto estava inserido num programa que contempla a construção de um centro de reabilitação e aconselhamento de alcoólatras e toxicodependentes. “Trata-se de um programa aprovado pelas estruturas centrais e publicado no Diário da República”, sublinhou.

O Hospital de Caluquembe, que possui quase todos os serviços médicos, tem capacidade para internar 240 doentes e é assegurado por 500 funcionários, entre enfermeiros, auxiliares, técnicos administrativos e corpo clínico. Segundo Dinis Marcolino, a reabilitação e o apetrechamento da instituição trarão, fundamentalmente, mais-valia aos serviços do bloco operatório, raio X e hemoterapia.

O referendo disse que o projecto da obra inclui a construção de uma unidade de pediatria e outra para maternidade. Está ainda prevista no mesmo pacote a reabilitação das vias de acesso à Missão Evangélica, onde está instalado o hospital. No programa, consta ainda a restauração do Instituto Bíblico de Caluquembe, o internato, centro de nutrição, escola primária e todas as infra-estruturas antigas que funcionavam como acção social da igreja. “Este projecto ja esteve cabimentado no Orçamento Geral do Estado, mas até agora não sabemos o que foi feito com o dinheiro”, questionou.

Bloco operatório sem equipamentos

A entidade eclesiástica disse que o bloco operatório do Hospital de Caluquembe foi construído em 2016/2017 com uma verba disponibilizada pela Presidência da República, mas até hoje a infra-estrutura não funciona por falta de apetrechos. “O bloco operatório está na iminência de degradar-se porque não está a ser utilizado por falta de equipamentos”, alertou, para acrescentar:
“inicialmente, a obra de construção do bloco operatório estava orçada em 123 milhões de kwanzas, se a memória não me atraiçoa, mas não sabemos se a obra do bloco foi paga na totalidade, porque o dinheiro não passou pela direcção da igreja. Foi apenas um contrato celebrado entre a empresa construtora Imosul e o Ministério da Reinserção Social (Minars).”

Ainda sobre a obra do bloco operatório,acrescentou: “Tenho conhecimento de que a Presidência transferiu o dinheiro para o Minars, que por sua vez pagou directamente o empreiteiro. Nenhum dinheiro passou por nós. Contudo, a construtora alega ter recebido apenas um montante para construir o bloco e não para equipá-lo”, afirmou.

Dinis Marcolino disse que conversou com o então ministro da Construção e Obras Públicas, Waldemar Pires Alexandre, com quem assinou a acta que autenticava o início dos trabalhos de reabilitação do hospital. Depois deste diálogo, a verba para os trabalhos voltou a ser cabimentada no OGE, “mas não passou da acta” que continua engavetada. “Na altura, tentamos buscar uma resposta plausível junto das entidades competentes mas, simplesmente, fomos aconselhdos a “ir ao Tribunal de Contas”, deplorou.

Manter a tradição de serviços de qualidade

Apesar das dificuldades, o Hospital de Caluquembe continua com a tradição de prestar assistência médica e medicamentosa de qualidade à população, garantiu Dinis Marcolino.

Disse que a instituição recebe alguma verba do Orçamento Geral do Estado, mas só dá para cobrir 30 por cento das despesas globais. “O dinheiro que nos é alocado cobre apenas 30 por cento das despesas gerais. O resto é suportado pela própria igreja e comparticipação dos pacientes”, disse.

Segundo o reverendo, o valor disponibilizado pelo OGE aumentou de seis milhões de kwanzas para oito. “Com este orçamento, pagamos uma parte dos salários, compramos medicamentos e suportamos as despesas de alguns serviços”, detalhou.

O Hospital de Caluquembe funciona com três médicos angolanos que foram bolseiros da igreja e um casal americano, que cobrem as especialidades de Medicina Geral, Ginecologista, Obstetrícia, Pediatria e outros.

Brevemente, o corpo médico vai aumentar com o ingresso de uma profissional norte-americana, de acordo com o reverendo Dinis Marcolino.

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