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Será que a OMS está a perder o combate contra o Ébola na RDC?

Epidemia de febre hemorrágica Ébola que atinge a RDC desde agosto de 2018 está a alastrar-se rapidamente. Governo admitiu que a epidemia é já a maior da história do país relativamente ao número de contágios.

Só na última semana de março, 72 novos casos da doença foram confirmados. Uma reviravolta, uma vez que, em meados de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia anunciado que o surto estava contido e que devia ser travado até setembro.

Acontece que, só na última semana de março, o número de pessoas infetadas mais que duplicou, quando comparado com a média das semanas anteriores. Atualmente o número de mortes provocadas pelo Ébola já ultrapassa 650 nomeadamente nas províncias congolesas de Kivu Norte e Ituri . As situações mais preocupantes continuam a ser as zonas do Beni e Butembo, onde os conflitos armados dificultam o trabalho das equipas médicas no terreno.

Violência das milícias armadas

Sevim Tuglaci da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), diz que a situação não pode ser comparada à epidemia de 2014 na África Ocidental, por causa da agravante da violência das milícias armadas. À DW, a médica admite ainda que a situação é complicada, mas que não está fora do controlo.

“A situação foi difícil de controlar desde o início, não diria que está fora de controlo agora, mas precisamos de repensar e mudar a estratégia senão não vai resultar. O Ébola é uma doença assustadora”.

Também Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, garante que as autoridades médicas sabem exatamente o que devem fazer para combater esta epidemia que, desde agosto, já matou mais de mil pessoas.

“O combate ao Ébola há um ano atrás no noroeste do Congo é um exemplo de que temos o que necessitamos para travar o surto. Temos medicamentos e a vacina tem uma eficácia de mais de 90%, por isso temos excelentes condições em termos de possibilidades técnicas”.

Conflitos armados no Kivu do Norte

Mas então porque continuam a aumentar o número de casos confirmados? Uma das razões apontadas é a prevalência dos conflitos armados na província do Kivu do Norte. E também os ataques que têm sido levados a cabo contra os centros de tratamento do vírus. Só nos últimos dois meses, cinco centros foram atacados em Katwa e Butembo, o que levou a Médicos sem Fronteiras a suspender a sua atividade durante duas semanas.

A falta de informação da população sobre o Ébola continua a ser um obstáculo à qual se junta, claro, a insegurança proveniente dos conflitos armados na região, nota o porta-voz da OMS.

“Devido à situação volátil no Kivu Norte, o acesso nem sempre é garantido. A violência faz também com que as pessoas fujam destas áreas. E claro, a confiança da população é também de grande importância [para o sucesso do nosso trabalho]. A sensibilização da comunidade é muito importante, para garantir que todos saibam como procurar ajuda”.

Mais informação sobre o Ébola

É precisamente neste ponto que tem de haver melhorias, considera Sevim Tuglaci da Médicos Sem Fronteiras. Para esta profissional, as autoridades têm de ir às aldeias e falar com os anciãos, explicar à população local o que é o Ébola e como pode ser tratado. Porque, acrescenta esta mesma médica, todo o processo “agressivo” que envolve o tratamento do vírus, como é o caso do “isolamento” ou mesmo o “internamento forçado” leva “à incompreensão e raiva” das populações.

O combate ao Ébola e os confrontos na região leste da RDC são precisamente dois dos temas que o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, tem na agenda para a sua visita oficial de três dias aos Estados Unidos, que teve inicio esta quarta-feira (03.04.).

O país nove vezes atingido

A RDCongo foi atingida nove vezes pelo Ébola, depois da primeira aparição do vírus naquele país africano, em 1976. É a primeira vez que uma epidemia de Ébola é declarada numa zona de conflito, onde existe uma centena de grupos armados, o que leva à deslocação contínua de centenas de milhares de pessoas que podem ter estado em contato com o vírus.

A insegurança complica e limita o trabalho dos profissionais de saúde que sofrem ataques ou mesmo sequestros realizados por grupos rebeldes.

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