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Maioria dos mexicanos não quer que Espanha peça perdão pelos abusos da colonização

Expresso/LILIANA COELHO

(PEDRO MARTIN GONZALEZ CASTILLO/GETTY)

Iniciativa do Presidente mexicano não tem o aval dos mexicanos. Cerca de 60% rejeitam que Espanha tenha que pedir perdão ao país para melhorar as relações diplomáticas

A carta enviada na semana passada pelo Presidente mexicano, Andrés López Obrador, ao rei de Espanha – apelando a um pedido de desculpas formal pelos abusos cometidos contra os nativos durante a colonização, – não conta com o apoio dos mexicanos.

Uma sondagem divulgada esta quarta-feira pelo jornal “El Financiero” revela que 60% dos inquiridos se manifestam contra a iniciativa do chefe de Estado mexicano.

Na missiva, a que o “El País” teve acesso, Andrés López Obrador defende que o reconhecimento dos erros cometidos por Espanha no passado é a única forma possível de o México e Espanha alcançarem uma “reconciliação plena”, com vista à aproximação entre os dois países. Segundo o governante, a melhoria das relações diplomáticas entre os dois países está dependente deste processo.

“Houve matanças, imposições. A chamada conquista fez-se com a espada e com a cruz”, pode ler-se na carta do Presidente mexicano.

A carta dirigida a Felipe VI, foi enviada através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, na segunda-feira passada, quando se aproximam os 500 anos da chegada do conquistador espanhol Hernán Cortés ao México e cerca de dois meses após a visita do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, ao México.

O MNE espanhol já disse, em comunicado, que “lamenta profundamente” esta carta, rejeitando os argumentos defendidos na mesma. “A chegada dos espanhóis às terras mexicanas mão pode ser julgada com base nas considerações contemporâneas. Os nossos povos irmãos têm sabido sempre ler o nosso passado partilhado sem ira e com uma perspetiva construtiva, enquanto povos livres com uma herança comum”, refere a nota.

O Governo espanhol reitera ainda “a sua disposição para trabalhar em conjunto com o Governo mexicano, de forma a continuar a melhorar as relações de amizade e cooperação existentes entre os dois países.”

Também vários historiadores se manifestaram contrários à missiva, classificando a iniciativa do Presidente mexicano de “oportunista” e “sem sentido”.

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