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Endometriose, o flagelo da mulher em idade fértil

Angop

(DR)

O Março mulher, apesar de ter sido eleito internacionalmente como o mês da Consciencialização sobre a endometriose, chega ao fim sem que se realizasse em Angola qualquer acção sobre consequências e números alarmantes desta doença que atinge 176 milhões de mulheres em idade fértil em todo mundo.

Estes dados apresentam um cenário grave para Angola, tendo em conta que a ignorância sobre o assunto abrange também pessoal clínico.

Pelo facto de esta doença ser desconhecida por muitos, ignorada por outros e conhecida por poucos, sejam mulheres ou profissionais da saúde, é cada vez mais “gritante” a necessidade de se elevar o nível de consciência da sociedade a respeito.

Também conhecida como ENDO, endometriose é uma doença de fórum feminino caracterizada pela presença de tecido endometrial, (a camada que reveste o interior do útero) em locais fora do colo uterino, causando inflamação e, na maioria dos casos, muitas dores abdominais. Por exemplo, elas instalam-se nos ovários, intestinos, útero, bexiga trompas e reto. Hoje, é cada vez mais comum o aparecimento de tecido do endométrio no diafragma, pulmão entre outros lugares.

As estatísticas apontam que em dez mulheres em idade fértil, uma tem endometriose, sendo por isso, considerada a quarta causa da infertilidade em casais (OMS). A ENDO é identificada como uma das principais razões das dores pélvicas (também conhecida como dores de bexiga), abortos espontâneos e gravidezes ectópicas.

No país, ainda existem imensas dificuldades de acesso à informação, diagnóstico e tratamento da doença. Muitas pacientes e profissionais da saúde desconhecem a ENDO.

Diante desta situação, Angola apresenta cenários distintos, mas todos preocupantes:

– O Primeiro, o desconhecimento total da doença, tanto por parte dos profissionais da saúde como da paciente.

– Segundo, o profissional que tenha algum conhecimento pode suspeitar da enfermidade, mas sem grandes possibilidade de um diagnóstico preciso e o devido tratamento.

– Em terceiro, a mulher é diagnosticada no exterior do país e faz o seu acompanhamento à distância. Por outro lado, outras não têm possibilidade para o acompanhamento. Poucos são os casos cujos diagnósticos são identificados e o tratamento tem o seu prosseguimento até ao final ou pelo menos com a qualidade que a ENDO exige, uma vez que não tem cura.

Sintomas

A ENDO é associada principalmente a dores menstruais, que podem manifestar-se antes, durante ou após o ciclo menstrual.

É importante quebrar o mito de que as cólicas menstruais são normais, porque este sinal pode ser o início de uma doença grave que irá manifestar-se ao longo da vida, caso seja ignorado.

A intensidade das dores é tão profunda e desgastante, a ponto de impedir a mulher de sair de casa para as suas actividades do dia-a-dia, como ir à escola, ao trabalho, a saídas sociais, a manter a intimidade do casal, entre outras actividades vitais.

Dores durante a relação sexual, ao urinar ou ao defecar; as disfunções abdominais como diarreia ou fezes presas no intestino; hemorragia intensa, fadiga e infertilidade fazem parte do pacote dos sintomas da doença. A par disso, é de difícil diagnóstico devido à sua similaridade com outras patologias de fórum uterino, como por exemplo, o câncer do útero.

De acordo com os especialistas, as estatísticas apontam, em média, oito anos até se chegar a um diagnóstico correcto sobre a doença.

Causas

De acordo com pesquisas científicas, existem várias teorias que apontam as origens da Endometriose. As mais frequentes prendem-se:

1) Com a Teoria de Menstruação Retrógrada, em que o endométrio é descamado durante o período da menstruação e parte do sangue ao invés de descer para ser expelido, retorna para o interior do útero.

2) A Teoria Genética refere que as pacientes podem ter uma predisposição genética em que a doença é transmitida de geração a geração.

3) O Teoria do Tecido Endometrial, o endométrio é distribuído pela via linfática

4) Teoria Provável prende-se com a alimentação. É um dos factores mais cruciais. A qualidade dos alimentos que ingerimos, onde integram, toxinas, químicos, hormônios, e outras substâncias nocivas ao nosso organismo, prejudicam o sistema imunológico.

Como obter o Diagnóstico?

O diagnóstico da Endometriose é incerto. A sua classificação é definida em quatro níveis: (1) mínima, (2) leve, (3) moderada e (4) severa. Estudos apontam que a média do diagnóstico de endometriose acontece, por volta dos 30 anos de idade.

O exame ginecológico é o ponto de partida para estabelecer o diagnóstico da ENDO. Outros métodos são a videolaparoscopia, procedimento cirúrgico menor, realizado através da indução de um tubo com uma câmara  no abdómem até ao útero da mulher, o ultrassom vaginal, introdução de um aparelho próprio no órgão genital feminino, o exame de sangue, em que regista um elevado índice dos níveis da proteína CA 125,  e a ressonância magnética, que é feito a partir de um exame de imagem, um dos teste mais precisos e fiáveis.

Tratamento

O tratamento da endometriose é incerto, pois é considerada uma doença sem cura. No entanto, os analgésicos, a aplicação de calor nas zonas abdominais através da bolsas de água quente, os chás quentes, o manter-se aquecida podem ajudar a aliviar os sintomas, numa primeira fase.

O tratamento com pílulas, assim como outro tipo de hormónios, é considerado por alguns especialistas, uma opção no cuidado com a doença, como uma forma de controlar os sintomas, mediante a regulação ou anulação do ciclo menstrual.

A laparoscopia ou abertura da pélvis, assim como os tratamentos alternativos (nutrição, medicina chinesa, imunoterapia e actividades físicas), também constituem alternativas. O caso mais extremo do tratamento da ENDO é o da Histerectomia, retirada do útero, sem, no entanto, qualquer garantia de cura.

É importante salientar que o sucesso do tratamento desta doença tem muito a ver com o quadro clínico da paciente, os seus objectivos e planos de vida e o nível de conhecimento, experiência e entrega do médico e demais profissionais da saúde.

A melhor forma de lidar com a doença é incentivar a educação ao público, para que cada cidadão esteja bem informado sobre a patologia. Para isso, a paciente, os profissionais da saúde, os parceiros conjugais e familiares devem estabelecer diálogo sobre o assunto e estar a par das informações sobre a endometriose, desde o seu conceito, diagnóstico, causas, opções de tratamentos e contornos deste processo.

Conhecer a doença cedo leva-nos a ter uma atitude correcta, como por exemplo a de ir ao médico ginecologista, de preferência um especialista em endometriose. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as consequências e maiores as oportunidades de um bom tratamento, proporcionando um melhor cuidado e qualidade de vida.

Como outras doenças, é necessário abrir uma frente para que se criem condições, em primeiro lugar, para a sua abordagem através do acesso à informação correcta, dissiminar a informação através dos media, acções educativas como palestras, marchas pedestres, debates, mesas redondas, jornadas científicas, bem como, formar profissionais da saúde especializados que possam tratar da doença com propriedade e exigência que ela requer.

Na arena internacional, anualmente, é realizada a Marcha Mundial pela Consciencialização da Endometriose (EndoMarcha) em mais de 70 países de todos os continentes, como o objectivo de chamar a atenção à sociedade sobre a doença.

Quiçá, em Angola um dia realizemos esta marcha também, para bem de todos.

 

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