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Xi Jinping na Europa para consolidar relação apesar da suspeição dos EUA

Presidente da China, Xi Jinping, durante congresso em Pequim 09/03/2018 (REUTERS/Damir Sagolj)

O presidente chinês inicia na quinta-feira um périplo pela Europa, visando “consolidar o bom momento” nas relações e reforçar alianças no comércio e assuntos internacionais, informou hoje o governo chinês, apesar da crescente suspeição de Washington, avança a Lusa.

A visita de Xi Jinping decorre entre 21 e 26 de março, e inclui Itália, França e Mónaco.

“As relações entre a China e a União Europeia (UE) têm registado um desenvolvimento sólido e de qualidade: a dinâmica é muito boa”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Chao, em conferência de imprensa.

A adesão da Itália ao projeto chinês ‘Uma Faixa, Uma Rota’ deve dominar a visita de Xi.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, confirmou já que a Itália vai-se tornar no primeiro membro do G7 e um dos poucos países da UE a apoiar formalmente o projeto, apesar das objeções dos Estados Unidos, e de outros países da UE, e da oposição interna.

“Apreciamos o dinamismo demonstrado pela Itália para participar na iniciativa, que corresponde aos interesses dos dois países. A China está preparada para promover a cooperação a um nível prático e alcançar resultados de benefício mútuo”, assegurou Wang.

O vice-ministro considerou “naturais” as dúvidas internas em Itália sobre a assinatura de um memorando de entendimento, que suscitou já um acalorado debate entre os dois parceiros do Governo.

“Acreditamos que todas essas dúvidas e debates são naturais: qualquer recém-nascido precisa de tempo para crescer e é inevitável encontrar reticências ou mal-entendidos”, disse.

Portugal é, até à data, um dos poucos países da UE a apoiar formalmente o projeto. As autoridades portuguesas querem incluir uma rota atlântica no projeto chinês, o que permitiria ao porto de Sines conectar as rotas do Extremo Oriente ao oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.

A última visita de Xi à Europa teve como destino Lisboa, em dezembro passado. E, no próximo mês, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, vai participar em Pequim na 2.ª edição do Fórum ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

O projeto tem, no entanto, suscitado divergências com as potências ocidentais, que veem uma nova ordem mundial ser moldada por um rival estratégico, com um sistema político e valores profundamente diferentes.

Bancos e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projetos lançados no âmbito daquele gigantesco plano de infraestruturas, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou linhas ferroviárias ao longo dos vários continentes.

Os EUA, e alguns países membros da UE, consideram que o projeto beneficia apenas as empresas chinesas.

“Nós vemos [Uma Faixa, Uma Rota] como uma iniciativa feita pela China e para a China [‘Made by China, for China’]”, reagiu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Garrett Marquis.

“Estamos céticos de que o apoio do Governo italiano traga quaisquer benefícios económicos sustentáveis para o povo italiano e isso pode acabar por prejudicar a reputação global de Itália a longo prazo”, disse.

Conte afirmou, no entanto, que a assinatura de um memorando de entendimento não “colocaria” em questão a posição de Roma dentro da estratégia da Aliança Atlântica ou na parceira com a Europa.

Numa intervenção na Câmara dos Deputados, Conte disse que os detalhes do memorando foram trabalhados durante meses de consultas e a todos os níveis do governo.

O responsável frisou que o memorando não é juridicamente vinculativo e que dará à Itália acesso a um enorme mercado.

“Queremos em primeiro lugar reequilibrar a balança comercial, que neste momento não é favorável para nós”, disse.

“As infraestruturas redefinirão as rotas do comércio internacional. Haverá novos aeroportos, novos corredores comerciais e isso certamente influenciará o nosso crescimento económico”, acrescentou. “Não queremos perder esta oportunidade”.

Durante a visita a Itália, Xi vai reunir com o presidente Sergio Mattarella, o primeiro-ministro Conte, e os titulares do Senado, Maria Elisabetta Alberti Casellati, e da Câmara dos Deputados, Robert Fico, e visitará ainda a cidade de Palermo.

Wang não confirmou se Xi vai reunir com o Papa Francisco, embora tenha enaltecido a assinatura de um histórico acordo, em setembro passado, para a nomeação dos bispos, o principal entrave ao estabelecimento de relações entre Pequim e a Santa Sé.

“Foi uma grande conquista para a relação bilateral”, notou.

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