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Burla Tailandesa: Ex-comandante-geral da Polícia José Alfredo “Ekuiki” diz que desconfiou logo da carta com assinatura do Vice-Presidente da República

NJOnline

Julgamento retoma na segunda-feira com a produção das alegações (DR)

O ex-comandante geral da Polícia Nacional entre 2002 e 2006, José Alfredo “Ekuiki”, que está arrolado como testemunha no julgamento do caso conhecido como “megaburla tailandesa”, que envolveu uma alegada tentativa de burlar o Estado angolano em 50 mil milhões de dólares, desconfiou da carta supostamente assinada pelo vice-Presidente da República, tão logo lhe foi apresentada pelo grupo de tailandeses que pretendiam celebrar contrato com a sua empresa.

“Tão logo tomei conhecimento da suposta cópia da carta assinada pelo vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, a convidá-los para virem a Angola investir, vi que não era confiável, porque os Governos não escrevem para privados directamente, sobretudo um vice-Presidente da República”, disse José Alfredo “Ekuiki”, de 69 anos, tendo acrescentado que isso lhe chamou “logo a atenção”.

A testemunha referiu que ligou para o gabinete do vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, para dizer que havia uma questão que o preocupava e que tinha um documento a mostrar-lhe.

“O vice-Presidente da República pediu-me para que fosse ao seu gabinete, onde eu não fui apenas com a carta, levei um dossiê”, contou o ex-comandante-geral da Polícia.

“Apresentei a carta e o dossiê que tinha um historial do que era a Centennial Energy, e os donos desse negócio. O Vice-Presidente da República ficou tão espantado que disse: General essa não é a minha assinatura e nem sequer esses documentos retratam a fiabilidade dos documentos que nós usamos no Governo”, explicou José Alfredo “Ekuiki”, que disse ainda que conheceu os tailandeses por intermédio do oficial da polícia Cristinian Lemos, réu nos autos.

Perguntado se depois de ter conhecido os tailandeses recebeu um telefonema do réu Cristinian Lemos, respondeu que sim, acrescentando que o réu pretendia que ele o ajudasse.

Questionado se chegou a tirar fotos com o réu Raveeroj Rithchoteanan, o alegado bilionário tailandês, respondeu que chegou a tirar uma foto a pedido do mesmo, com o seu telefone, mas que não chegou a assinar nada com o réu.

Já o ex- comandante-geral da Polícia Nacional, Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda”, também testemunha no processo, disse que recebeu um telefonema do comissário reformado Jojó Antunes a pedir para que recebesse os tailandeses, visto que o assunto interessaria à Polícia Nacional.

Questionado se sabe dizer se o réu Cristinian Lemos era efectivo da polícia, respondeu que sim e que o mesmo se encontrava de férias.

Interrogado se recebeu de Cristinian Lemos um telefonema em que este solicitava em nome do grupo dos tailandeses uma ajuda para a prorrogação dos vistos, respondeu afirmativamente.

“Mas informei-o de que este assunto não era do comandante-geral da Polícia Nacional, e que ele devia contactar o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME)”, referiu.

Ainda na sessão desta quarta-feira foram ouvidos na condição de testemunhas Cláudia Pedro, ex- directora adjunta da Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), e Agostinho Kapuma Kambassaki, responsável do ficheiro central do Guichê Único da Empresa.

O colectivo de juízes, encabeçado pelo venerando Domingo Mesquita, agendou para a próxima segunda-feira, 25, a sessão de julgamento desde caso, em que serão ouvidos mais três declarantes, entre eles Francisca de Brito, da Unidade de Informação Financeira (UIF).

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