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Atentados: Nova Zelândia pede explicações a Erdogan

RTP

(Umit Bektas, Reuters)

O atentado contra as duas mesquitas de Christchurch entrou em força na campanha eleitoral turca. O presidente Recep Tayyip Erdogan mostrou imagens do acto terrorista que custou a vida a 50 pessoas durante acções de campanha e promete castigar o atirador se a Nova Zelândia não o fizer. Wellington não gostou e pediu-lhe explicações.

Recep Tayyip Erdogan procura nas eleições de 31 de Março garantir uma boa margem para o seu partido, o AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento), e a luta contra os muçulmanos, que o presidente adverte fazer parte de uma guerra global, é agora nas suas mãos um instrumento eleitoral como outro qualquer. “A 16.500 quilómetros de distância estão a pôr-nos à prova. Este não foi o acto de um indivíduo. Isto foi organizado”, declarou aos apoiantes num outro comício, na segunda-feira.

Erdogan vai espremer quanto puder o espírito islâmico que ele próprio fez renascer na Turquia, apesar de em teoria estarmos a falar de um Estado laico.

Com imagens do ataque de Christchurch a passarem em écrans-gigantes nas suas costas durante as acções de campanha, o líder turco empolgou os apoiantes com palavras inflamadas e o apelo a uma espécie de anti-cruzada contra o que diz ser uma conspiração contra a Turquia.

É neste clima de eleições locais que terão lugar dentro de semana e meia que a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, vem exigir explicações a Erdogan, enviando à Turquia o ministro dos Negócios Estrangeiros, Winston Peters.

“O nosso vice-primeiro-ministro vai confrontar [Erdogan] com esses comentários na Turquia. Ele vai até lá para esclarecer as coisas olhos nos olhos”, explicou a primeira-ministra aos repórteres ao anunciar a viagem de Peters à Europa ainda esta quarta-feira.
Erdogan promete justiça para o atirador

O terrorista australiano Brenton Tarrant, um radical de extrema-direita de 28 anos, abriu fogo sobre muçulmanos que se encontravam no templo durante as orações de sexta-feira, dia particular para o Islão. Acredita-se que seja o único atirador e é para já o catalisador de que o presidente turco precisava nesta fase da campanha das locais turcas, fundamentais para cimentar a força do AKP.

A frase de Erdogan que terá inflamado as relações entre a Turquia e a Nova Zelândia [e também a Austrália] tem a ver com a ameaça deixada contra o atirador caso a nova Zelândia não faça justiça.

O presidente da Turquia defende que, “se o mundo quiser evitar novos ataques semelhantes ao que aconteceu na Nova Zelândia, deverá perceber que isto que aconteceu é o produto de uma campanha de difamação coordenada”.

Durante acções de campanha já esta terça-feira Erdogan exibiu nos écrans por cima do palco extractos do que vem sendo mostrado como o manifesto deixado pelo atirador na Internet, juntamente com fotogramas do momento em que entrava nas mesquitas.

Entretanto, também a Austrália convida Erdogan a fornecer explicações para esta narrativa, envidando esforços para já pela via diplomática, mas ponderando todos os cenários para lidar com a situação. Camberra considera o aviso aos australianos que estejam a planear viajar para a Turquia.

Milhares de australianos e neozelandeses viajam todos os anos até à Europa para prestarem homenagem aos seus soldados caídos durante a guerra.

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