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Alemanha avança na instalação da rede 5G sem excluir chinesa Huawei

Afp

Jochen Homann na lciitação da rede 5G na Alemanha, em 19 de março de 2019 em Mainz, oeste da Alemanha (Dpa/AFP / Arne Dedert)

A Alemanha lançou nesta terça-feira a licitação para a instalação da sua futura rede de telefonia móvel 5G, sem excluir companhias chinesas, como a Huawei, apesar das ameaças dos Estados Unidos de revisar sua cooperação em segurança.

A chanceler alemã Angela Merkel disse que não queria “excluir nenhuma empresa ou ‘player'” da rede 5G e também anunciou que sua legislação reforçaria a segurança das redes.

“Damos sua oportunidade a cada um, mas naturalmente não somos inocentes, sabemos que as leis na China são muito distintas das nossas”, acrescentou, de Berlim, onde participa de um fórum económico.

“A Huawei é uma importante fornecedora de equipamentos, que já estava presente em nossas redes anteriores, será difícil ignorar empresas assim, e não é o que queremos”, afirmou Jochen Homann, presidente da agência federal de redes à emissora pública alemã.

Este organismo público supervisiona o processo que vai licitar 41 blocos de frequências às quatro operadoras na disputa: Deutsche Telekom, Vodafone, Telefónica/O2 e 1&1/Drillisch.

A Huawei não pode ter acesso a nenhum desses blocos, mas, como fabricante de materiais – assim como sua concorrente chinesa ZTE – já fornece infraestruturas a essas operadoras, principalmente antenas, e espera continuar fazendo isso no lançamento da rede 5G.

A companhia chinesa é líder nesta nova geração de telefonia e internet móvel. Portanto, renunciar a seus serviços poderia desacelerar o desenvolvimento desta tecnologia, crucial para a Europa.

Mas os Estados Unidos consideram que as antenas da Huawei são uma espécie de cavalo de Tróia moderno e suspeitam que a companhia transmite dados ao governo chinês, obedecendo a uma lei lhe obriga a colaborar com autoridades.

Por esta razão, países como Austrália, Japão e Nova Zelândia já excluíram fabricantes de equipamento chinês e outros estão pensando em fazer o mesmo após seus serviços de inteligência alertarem para o risco.

– Carta do embaixador –

Os Estados Unidos tentam pressionar a Alemanha, maior economia da Europa.

O governo alemão tornou-se um dos principais alvos de Donald Trump, que critica seu superavit comercial, seus gastos militares e sua compra de gás russo.

O embaixador americano enviou uma carta ao ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, próximo de Merkel, para informar que, se seu governo não proibir os grupos chineses, Washington vai revisar sua cooperação nos sectores de informação e cibersegurança.

A ameaça se agravou na semana passada, quando o comandante supremo das forças aliadas na Europa, o general americano Curtis Scaparrotti, afirmou que as forças da Otan deixarão de se comunicar com Berlim se os colegas alemães se associarem a grupos como a Huawei.

“Tememos que a estrutura de suas telecomunicações se veja comprometida porque, em particular com o 5G, a largura da banda e a capacidade de obter dados são incríveis”, disse o general.

Segundo a revista alemã Der Spiegel, os especialistas em segurança do BND, os serviços exteriores alemães, também têm dúvidas.

Mas o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, declarou na semana passada que não queria abrir uma nova disputa com a China. A Alemanha já enfrenta a gigante asiática com uma lei para evitar a entrada de capital chinês em empresas consideradas estratégicas.

De acordo com a imprensa, o governo alemão estaria buscando uma via intermediária para não excluir nenhuma operadora, que consistiria em uma série de medidas que todos os envolvidos com a rede 5G – operadoras, fornecedores e construtores de material – deveriam cumprir.

Esta solução incluiria, entre outros, uma cláusula anti-espionagem, a obrigação de fazer testes em todos os componentes e de publicar os códigos fonte utilizados.

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