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Réus demarcam-se do assassinato do jovem Peterson

um ano depois de ter sido morto a tiro o jovem Jorge Peterson da Silva Miguel, de 26 anos de idade, o Tribunal Provincial de Luanda deu início, ontem, na 5ª Secção da Sala dos Crimes Comuns, ao julgamento de dois jovens acusados de terem participado no assalto e consequente assassinato daquele estudante, no Morro Bento.

Segundo OPAÍS, a audiência que estava marcada para as 9h e começou às 12h, devido à existência de um outro processo na mesma secção, começou com questões prévias apresentadas pelos advogados de defesa dos dois réus. Resumidamente, os dois defensores levantaram situações que levam a crer na não participação dos réus no crime de que vêm acusados. Apesar de o juiz ter aceite a contestação apresentada pelos causídicos, não permitiu a nulidade do processo como um deles invocou, pelo que deu continuidade com a audição dos réus.

Edivandro da Silva aparece no processo como um dos cinco jovens que participaram no assalto e assassinato de Jorge Peterson. Este tinha sido surpreendido por marginais armados, a 22 de Janeiro do ano passado, pelas 13h, nas imediações da ex-rotunda da Gamek. Edivandro é um dos jovens que conduziu uma das motos, por sinal aquela que transportou o co-reú Adilson (prófugo), que supostamente terá feito os disparos. Edivandro disse ter sido contactado por Adilson para prestar um serviço de apoio, conduzindo uma motorizada, sem este ter dito onde iam e o que lá fariam. Achou ser uma actividade normal, por ser alguém conhecido e que outras vezes já o contactou para serviços similares, como a compra de motorizadas.

O réu disse não saber que estava a ir para um assalto, mas cumpriu com eficiência a sua tarefa, pois foi por isso que recebeu das mãos de Adilson 123 mil, dos 600 mil Kz roubados. O juiz perguntou se, ao ver que um carro tinha sido interpelado, o amigo descido da motorizada, ir ao encontro da vítima, ter ouvido disparos e ser orientado a se retirar do local, não interpretou aquela situação como sendo um assalto, o réu respondeu que não. Ainda assim, o juiz da causa insistiu em perguntar se o réu questionou sobre a quantia avultada que foi lhe paga para a prestação daquele serviço, pelo que este respondeu negativamente. Edivandro simplesmente limitou-se a transportar o amigo que engendrou e materializou o assalto que vitimou mortalmente Jorge Peterson.

“Apenas fiz o frete que tinha de fazer”

Estas foram algumas das palavras do réu William Leitão quando tentava justificar o seu álibi neste crime. William respondia com ares de desespero às perguntas do juiz e de quem acha que não devia estar ali, ao ponto de o meretíssimo ver-se obrigado a chamá-lo chamá-lo à razão, de forma a controlar-se e respeitar o tribunal.

Este réu disse que o prófugo Adilson o tinha contactado, como das outras vezes, para fazer o serviço de táxi, tendo-o tirado do Golfe II para ir até à ponte da Vila do Gamek. Disse que não esteve no local do crime (nas imediações da Jonce, perto da Rotunda da Gamek) e que tomara conhecimento da morte do jovem estudante através da rádio. Por aquilo que chamou de frete, foi-lhe pago 55 mil Kz, no final do dia, um valor que também não questionou. A ser assim, este seria dos réus que terá conhecido a pessoa errada, esteve na hora errada e no lugar errado, como disse o seu advogado durante a apresentação da contestação. O nosso jornal publicará nas próximas edições a contestação dos advogados dos dois réus deste julgamento que comporta três prófugos.

A tristeza que ainda paira na família

Jorge Peterson vivia na África do Sul, onde estava a formar-se, e precisamente no ano em que foi assassinado iria receber o diploma, em Abril. Dois dias antes da sua partida, morreu quando quatro jovens o assaltaram por 600 mil Kwanzas, dinheiro que Jorge procurava trocar em rands para usar no país de Nelson Mandela.

A dada altura, durante o interrogatório do primeiro réu, as emoções elevaram-se e a mãe de Peterson não conseguiu conter a tristeza que ainda vive no peito. Ao ver as respostas “infundadas” que o réu dava, a matriarca lacrimejava, facto que fez com que o juiz tivesse de fazer uma pausa e lhe pedisse para se acalmar, pois o tribunal tentava entender o que se passou para fazer justiça.

Durante o tempo que decorria o assalto, que durou menos de cinco minutos, o amigo da vítima, que conduzia a viatura, conseguiu fugir e sair ileso. Este amigo aparece no processo como testemunha e poderá ser ouvido nas próximas audiências de julgamento. O processo tem mais de uma dezena de declarantes, pelo que o juiz e a representante do Ministério Público concordaram em não ouvirem todos, por economia de tempo. A família estava preocupada com o tempo que levou para serem detidos os acusados, bem como para serem chamados a acompanhar o julgamento em tribunal, mas agora mostra-se esperançosa num desfecho justo deste caso.

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