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Os problemas da extração ilegal de areia no Quénia

No Quénia, a extração ilegal de areia está a causar seca quase permanente em certas localidades. (DR)

No Quénia, país que desde segunda-feira (11.3) sedia a Cimeira do ambiente da ONU, a extração ilegal de areia está a causar sérios danos às comunidades locais – como violência de cartéis e secas prolongadas.

Segundo avança a DW África, chefes de Estado, ativistas, ONGs, empresários e outros convidados estão reunidos desde segunda-feira (11.3) em Nairobi, Quénia, na Cimeira do ambiente da ONU para debater e assumir compromissos globais para a proteção do meio ambiente. Entretanto, no próprio país a sediar o evento em 2019, a apanha ilegal de areia em larga escala está a causar sérios problemas.

A areia – usada principalmente em vidro e concreto – tornou-se o segundo recurso natural mais consumido no planeta. A rápida urbanização tem incentivado a extração ilegal desse bem em larga escala, desencadeando uma onda global de violência entre gangues. O país africano que este ano sedia a Cimeira do meio ambiente das Nações Unidas, Quénia, enfrenta prejuízos semelhantes.

Falta água

Comunidades no referido país africano têm lutado contra secas prolongadas dos rios e fontes de água causada pela extração de areia por grupos que agem ilegalmente. John Mutua Muasa é um dos afectados. Próximo ao leito do rio que costumava levar água potável para a comunidade onde ele vive, em Machakos, o queniano relata os problemas que tem enfrentado.

Desde que máquinas começaram a extrair areia ilegalmente no leito do rio, não sobre quase nenhuma areia para segurar a água. John luta para deter os criminosos, mas o seu ativismo tem um preço alto por causa das ameaças que tem sofrido.”Quando alguém me ameaça, dizendo que vai enviar uma gangue até a minha casa para me matar, para queimar a minha casa, como pessoa, como ser humano, sinto medo”.

Cartéis

O queniano diz que cartéis poderosos estão por trás da extração ilegal que alimenta as demandas da rápida urbanização no Quénia. As pessoas em sua comunidade acreditam que esses grupos não vão parar a destruição, até que não haja mais areia – a extração desse bem está a causar seca quase permanente na região. Ele pede às autoridades para enfrentarem os que roubam a areia em Machakos, pois esses grupos sequer consideram aqueles, cujas vidas dependem do acesso às reservas de água.

Cecilia Ndunge, uma agricultora no local, diz que quando o sol está muito forte, e os moradores da comunidade vão à procura da água, “deparam-se com níveis muito baixos”, havendo apenas água salgada, “que não é boa para lavar roupa e beber”, explica, “a água ali é tão má, que muitos chegam a contrair doenças”.

ONU em Nairobi

Segundo um relatório da ONU sobre o estado do planeta divulgado nesta quarta-feira (13.3), em Nairobi, um quarto das mortes prematuras e das doenças através do mundo estão ligadas à poluição e aos atentados ao ambiente perpetrados pelo homem.

Por falta de acesso a água potável, 1,4 milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças evitáveis, como diarreias ou parasitas associados a águas contaminadas. Segundo o mesmo texto, condições ambientais “medíocres” são responsáveis por “cerca de 25% das mortes e doenças mundiais”, em que se fala em cerca de nove milhões de mortes ligadas às poluições ambientais em 2015.

Ainda assim, em várias localidades do Quénia, a extração ilegal de areia ocorre em plena luz do dia. Um motorista de camião próximo à comunidade onde John Mutua Muasa vive diz que cerca de 200 camiões carregados circulam pelo local todos os dias.

E muitas vidas já foram perdidas ou arruinadas devido à extração desenfreada de areia. Mesmo ganhando apenas alguns dólares por dia, muitos trabalhadores não têm outra escolha. Mathew Mutua é um deles, e diz que “o problema é a falta de empregos”. “Temos famílias para sustentar. Somos seres humanos. Estamos a nos esforçar para conseguir outros empregos, mas não os conseguimos”, desabafa.

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