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Guiné-Bissau: União Africana salienta clima de tranquilidade nas eleições

Observador/Lusa

O chefe da missão de observadores eleitorais da União Africana, Rafael Branco, salientou hoje que o ato eleitoral na Guiné-Bissau decorreu de forma tranquila e com uma “participação cívica notável”.

“Temos 15 equipas espalhadas pelo território nacional recebemos um relatório às 08:00 da manhã e outro às 12:00 (mesma hora em Lisboa) e esse dois relatórios coincidem nisto: o clima é de tranquilidade, de uma participação cívica notável e esperamos pelo relatório da noite que nos vai dar uma visão de todo o processo”, afirmou à Lusa o antigo primeiro-ministro são-tomense, depois do encerramento das urnas.

Rafael Branco disse também que assistiu à abertura das urnas na zona do círculo 28, em Bissau, onde visitou várias assembleias de voto, e que o ambiente tem sido o mesmo.

“Agora estamos aqui no fecho e o ambiente vivido de manhã confirma-se novamente esta tarde. Tudo decorre num ambiente bastante tranquilo, há uma ou outra defesa mais acalorada, mas isso é absolutamente normal”, disse.

A União Africana deverá apresentar o seu relatório final sobre a avaliação às eleições legislativas na terça-feira.

A organização faz parte do grupo P5, que inclui também a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ONU e União Europeia, que tem acompanhado de muito perto a crise política que a Guiné-Bissau vive há mais de três anos.

Governo português saúda “forma pacífica e ordeira” do ato eleitoral

O Governo português saudou hoje a realização das eleições legislativas na Guiné-Bissau “e a forma pacífica e ordeira como decorreu” o ato eleitoral, de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

“Os eleitores da Guiné-Bissau transmitiram um sinal de esperança no futuro do seu país”, sublinha o MNE no documento.

O MNE afirma que aguarda “serenamente pelo apuramento dos resultados”, felicitando as autoridades da Guiné-Bissau pela organização das eleições “há muito aguardadas pela comunidade internacional”.

“Continuaremos a acompanhar de perto e a apoiar a Guiné-Bissau neste novo ciclo de esperança na sua vida política”, lê-se no comunicado oficial.

Mais de 761 mil eleitores guineenses foram hoje chamados às urnas para eleger o novo parlamento do país entre os candidatos apresentados por 21 partidos políticos.

As urnas estiveram abertas entre as 07:00 e as 17:00 locais (mesma hora em Lisboa).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) guineense deverá revelar os resultados oficiais provisórios na terça-feira e esta segunda-feira fará um primeiro balanço da votação, que este organismo considerou ter decorrido, de uma forma global, sem sobressaltos.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, afirmou hoje que o escrutínio estava a decorrer com normalidade, “sem mortes, sem espancamento, sem golpes de Estado, sem prisões arbitrárias, sem prisioneiros políticos, e com liberdade de expressão, de manifestação e imprensa”, classificando o país como um “campeão da liberdade”.

As eleições legislativas, que estiveram inicialmente marcadas para novembro do ano passado – foram impostas pela comunidade internacional após uma longa crise política, criada após a demissão do primeiro-ministro em 2015, Domingos Simões Pereira, apesar de o seu partido – Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) – ter a maioria absoluta.

Entre os 21 partidos candidatos, três dizem esperar governar: o PAIGC, o Partido da Renovação Social (PRS) e o Movimento para a Alternância Democrática (Madem), este último criado a partir de uma dissidência dentro da maior formação partidária do país.

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