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Informação ao minuto

Défice de Organização no Sistema de Comunicação Social Angolano

por Carlos Costa

Cidade de Luanda, a capital de Angola, foi fundada há 440 anos, pelo português Paulo Dias de Novais (DR)

O trabalho da comunicação social angolana tem sido muito deficiente fundamentalmente devido à limitada organização das fontes de informação, aqui designadas como fontes privilegiadas, sejam elas empresas públicas, privadas ou pessoas e organismos sociais, que não conseguem ainda oferecer ao público, um serviço actualizado de informação útil ao cidadão. A maior parte dos Gabinetes de Comunicação Institucional não deu ainda o ar da sua graça, o que deixa os Jornalistas profundamente embaraçados quando querem consultar, conferir ou adquirir dados para a sua missão de informar com objectividade.

Esta situação explica em parte a má qualidade de serviço prestado ao cidadão pelo jornalista que se vê obrigado a recorrer a outros meios, onde muitas vezes, os dados adquiridos não coincidem com a informação oficial dos departamentos governamentais. É uma situação grave para quem queira debruçar-se na abordagem objectiva e oportuna das questões nacionais.

A maior parte dos sites institucionais do Governo fica a dever ao cidadão a informação actualizada sobre as linhas de actuação dos respectivos departamentos ministeriais. Os Governos provinciais nem sequer apresentam dados credíveis e actuais da sua localização, objecto social, e tarefas institucionais, muitos deles recorrendo às redes sociais para divulgar em curtas linhas uma actividade de alcance nacional. É deprimente o que se passa no país, onde através das redes sociais, assistimos os nossos responsáveis políticos a aderirem em massa, na tentativa de controlarem as fake news, que interferem na sua suposta boa imagem de governantes impolutos. É hora de revisão da estratégia de comunicação do executivo que deve passar também pelo apoio sem reservas às várias iniciativas de comunicação privadas, fruto do empreendedorismo dos seus promotores, que têm de sobreviver num país, que infelizmente não valoriza nem explora o suficiente o potencial interno de criação de riqueza e valores.

A informação como direito de qualquer cidadão já se faz hoje com mais transparência graças ao uso das novas tecnologias disponíveis até nos supermercados. É hora de despertar para a nova realidade, ao invés de se gastar dinheiro e energias a tentar ofuscar a avalanche de informação disponível nas redes sociais com sabor a fake news. Angola deve igualmente despertar para esta nova realidade, se quiser desenvolver-se ao ritmo superior ou igual ao das novas tecnologias de informação. Mãos à obra.

Os profissionais de informação que viveram ao longo do tempo as duas realidades sociais de Angola (a colonial e a da independência) estão hoje impossibilitados de exercer a actividade em função das prioridades governamentais, que privilegiam os mais jovens, em detrimento da sabedoria acumulada dos mais velhos, que continuam a dar cartas e a debitar profissionalismo na imprensa estrangeira, enquanto os mais novos se encolhem nos privilégios do patronato oficial, preferindo omitir os factos reais não permitidos pelo sistema e não mostrar ao público a triste realidade vigente.

O Governo deve aproveitar as sinergias dos profissionais experientes que evoluem nas plataformas digitais e não só e permitir que a informação seja cerceada dos seus reais objectivos em nome de uma propaganda de consumo interno. É necessário investimento na comunicação social como fazem outros países e torná-la num verdadeiro agente económico útil à Nação, como veículo de divulgação de todas as realizações que fazem de Angola, um país, como se diz politicamente recomendável para todos os que nela quiserem viver.

Não podemos fazer o contrário, como acontece no presente, com interferências absurdas do poder político, que quer continuar a omitir as suas falhas, muitas delas, do conhecimento dos parceiros económicos que vêm cá vender a sua solidariedade e serviços, a um preço demasiado pesado para as nossas finanças públicas, obrigadas a pagar caro, a nossa indigência.

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