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Os Estados Unidos vão deixar de publicar o número de civis mortos pelos seus ataques com drones

Novo livro narra rotina macabra dos operadores de drones, homens suaves que eliminam os “inimigos” dos EUA. Mais de 6.300 já foram assassinados (DR)

Donald Trump assinou na quarta-feira uma ordem executiva que reduz o número de mortes civis pelo uso de drones que as várias agências de informações precisam de tornar públicos. Dentro de zonas de combate continua a ser obrigatória – e pública – essa contagem

Segundo informa o Expresso, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quarta-feira uma ordem executiva que reduz o número de mortes civis provocadas por drones que o governo é obrigado a divulgar publicamente.

Barack Obama, presidente que antecedeu Trump, sofreu algumas das mais duras críticas de todo o seu tempo na Casa Branca por ter autorizado ataques com drones armados com bombas, que matam indiscriminadamente e à distância, mas desde 2016 que o diretor nacional das secretas é obrigado a revelar, num relatório anual, o número de mortes resultantes das operações militares dos Estados Unidos em áreas sem presença oficial de tropas. Iémen, Somália e Paquistão são alguns exemplos.

Obama apresentou a medida em 2016 depois de uma grande pressão para que a sua administração fosse mais transparente sobre o uso de drones, que aumentou bastante durante os oito anos em que foi presidente.

Entre 2011 e 2015, segundo esses mesmos relatórios, entre 64 e 116 pessoas morreram em ataques com drones. Em 2016, dizem as autoridades responsáveis, apenas uma. Em 2017 ainda não havia ordem executiva em vigor mas Trump não libertou números.

O deputado Adam Schiff, presidente democrata do Comité de Informações da Câmara dos Representantes, disse à BBC que não vê “qualquer justificação para acabar com a prática” que, na sua opinião, constitui “uma importante medida de transparência”.

“Esta ação elimina as exigências por relatórios supérfluos, requisitos que não melhoram a transparência do governo, apenas distraem os nossos profissionais da sua sua missão principal”, disse fonte da Administração Trump também à cadeia de televisão pública britânica.

Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca disse à Associated Press que o governo está “totalmente comprometido em minimizar – na medida do possível – as mortes civis e reconhecer a responsabilidade quando, infelizmente, ocorrem durante as operações militares”.

Apesar de as baixas civis em zonas de combate ativo continuarem a ser públicas, organizações como a Human Rights Watch dizem que esta ordem vem tornar mais opaco o necessário escrutínio ao número de mortes provocadas pelas ações militares dos Estados Unidos, uma vez que, por exemplo, a lista deixará de incluir ataques orquestrados pela CIA.

“Ataques coordenados por outras entidades governamentais como a CIA foram incluídas sob este requisito [de Obama]. Essa foi a intenção da lei”, disse Rita Siemion, assessora jurídica internacional do grupo Human Rights First, ao Politico. A mesma reponsável disse ainda que “a ação do governo Trump é um passo desnecessário e perigoso contra a transparência e a prestação de contas pelo uso de força letal, e as baixas civis que ela causa”.

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