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Participação da Mulher Angolana no Desporto

por António Sakuvango Salumbongo*

António Sakuvango Salumbongo (DR)

O campo das práticas desportivas e corporais é, com certeza, um terreno extremamente fértil para testar hipóteses sobre as mudanças nas relações e representações de género na sociedade contemporânea, um lugar particularmente sensível para indagar os rumos de uma cultura em transição – transição para padrões mais igualitários, mais “andróginos”, ou talvez, avançando embora lentamente no sentido de uma certa “despadronização”. O Desporto, em particular, tornou-se durante mais de um século, o lugar de disputas intensas sobre o que pode/dever fazer um “corpo masculino” ou um “corpo feminino”, tanto pelo lugar central que ocupava na construção de novas formas mais “pacificadas” da construção da masculinidade.

A mulher angolana está cada vez mais a conquistar o seu espaço e contribuindo na construção do país. A prática desportiva para além de ser um meio de inclusão é também um modo de vida e uma metáfora, com toda a sua complexidade essas práticas espelham classes sociais, ideologias políticas e frequentemente inspiram uma devoção mais intensa que as religiões. O desporto é um interesse real, um meio de luta, capaz de arruinar regimes políticos e deflagrar movimentos de libertação.

De fato, tenha sido “privilégio” de raça e género e implicavam fortes controles sobre os corpos das mulheres – sua sexualidade, sua liberdade de movimento, e seu uso do espaço urbano no qual o desporto e as actividades físicas tornavam-se uma forma de lazer cada vez mais visível.

O desporto em angola está a passar por um processo de reestruturação social e económico, mesmo assim ao longo do séc. XX as conquistas sociais femininas foram muitas e com o interesse em participar activamente nas diversa áreas da sociedade, umas das grandes conquistas foi a implementação da “Associação angolana mulher e o desporto” que coloca a formação no topo das prioridades, construída em 20 de Janeiro de 2009 e tem como prioridade a formação de mulheres na área do desporto .

A escritora feminista Susan Brownmiller uma vez definiu a feminilidade como estética da limitação. Se com isso resumem-se os impulsos dominantes de vários séculos de cultura moderna, entende-se bem porque o desporto – prática que convoca, pelo menos nas suas modalidades competitivas, a “desafiar os limites” das competências corporais – iria tornar-se um cenário de muitos conflitos e lutas sobre o que pode ser/fazer uma mulher. Para as mulheres, torna-se uma disputa por acesso a espaços, legitimidade, e recursos materiais e simbólicos, que encena de forma muito sensível, a luta maior para ter controle sobre o próprio corpo.

Podemos destacar duas situações de prática desportivas: uma que visa o rendimento,buscando constantemente novos talentos, dispostas nas categorias de base dos clubes, e outras com carácter lúdico-educacional, oferecidas pelos profissionais de educação física e desporto, mesmo assim o grito é maior por inclusão de mulheres no desporto.

*António Sakuvango Salumbongo, Residente no Brasil-São Paulo, estudante de Educação Física. Graduando em bacharel de Educação Física, Professor de futebol em escolinhas de formação e Fundador do Projecto “Olhem Angola”.

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