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Opositor detido “por criticar” presidente da Guiné Equatorial

Joaquin Eló Ayeto (DR)

Um opositor ao regime na Guiné Equatorial foi detido na passada segunda-feira por ter criticado o Presidente, Teodoro Obiang Nguema, afirmou o seu partido, segundo uma rádio local do país.

“Joaquin Eló Ayeto foi preso pelas 6h00 (04h00 em Luanda) na segunda-feira na sua casa no bairro El Paraíso, em Malabo. A detenção, sem mandado judicial, foi efetuada por sete elementos armados da segurança presidencial e [Joaquin Eló] foi levado num veículo oficial”, divulgou o partido Convergência para a Democracia Social (CPDS), uma das principais formações da oposição, através de um comunicado citado pela Radio Macuto, uma rádio local.

O comunicado, escreve o Notícias ao Minuto que cita a Lusa, indica ainda que o CPDS procurou por Joaquín Eló em várias dependências policiais, que negaram sempre a existência do nome do político e ativista guineense na lista de detidos, e quando foi finalmente encontrado conseguiu comunicar ao seu advogado que era acusado de ter dito “algures” que “Obiang não regressará do périplo que está a realizar pelo país”.

Obiang, com 76 anos e há 39 anos no poder, iniciou no passado dia 15 um périplo pelo país para inaugurar uma meia centena de novos distritos criados em 2017.

O CPDS afirmou que Joaquín Eló “seria torturado” na noite passada para “confessar os factos” e condenou “energicamente a detenção, assim como a prática habitual da polícia do regime de deter sem ordem judicial e submeter os detidos a maus tratos físicos e psicológicos, como são o facto de interrogarem uma pessoa com as mãos algemadas”.

A Amnistia Internacional (AI) divulgou hoje um relatório em que denuncia a “detenção arbitrária, ataques e perseguições” de defensores dos direitos humanos e políticos na Guiné Equatorial, sublinhando o facto de o país presidir atualmente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“O Presidente Teodoro Obiang Nguema, cujo país preside atualmente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, deveria aproveitar esta oportunidade para mostrar ao mundo o seu compromisso em melhorar o seu assinalável registo no domínio dos direitos humanos”, escreve Marta Colomer, responsável da AI para a África Ocidental, num comunicado da organização não-governamental.

“Um primeiro passo seria que as autoridades investigassem na totalidade, com independência, transparência e efetivamente todas as ameaças e ataques contra os defensores dos direitos humanos e levasse perante a justiça todos os suspeitos de serem responsáveis” por estas práticas, acrescenta a ativista.

O relatório da AI documenta a forma como vários defensores dos direitos humanos e membros da oposição equato-guineense têm sido alvo de maus tratos, designadamente Joaquín Elo Ayerto. “Ele foi detido várias vezes, incluindo uma em 29 de novembro de 2016, quando dois oficiais militares o espancaram severamente, depois de ter divulgado na internet um artigo sobre a recusa de um dos oficiais pagar uma portagem rodoviária”.

“Na sequência deste incidente, Ayeto processou os dois oficiais, mas o que ouviu do juiz foi que o seu artigo dava uma má imagem do país”, acrescenta a AI.

Joaquín Elo Ayeto foi depois detido e preso por mais de um mês. “Nos primeiros cinco dias de detenção foi mantido em confinamento solitário. Quando o ano judicial chegou ao fim, o tribunal decidiu libertá-lo. Nunca lhe foi dito porque tinha sido detido”.

A AI regista uma nova detenção do político guineense, em 27 de junho de 2017. “Joaquín Elo foi novamente detido por participar num evento que reclamava a justiça pela morte de uma jovem taxista e libertado uma semana mais tarde”, denuncia o relatório da organização.

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