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Forças de segurança da RDC mataram pelo menos 27 pessoas em operação contra o crime

De acordo com o Notícias ao Minuto que cita a Lusa, as forças de segurança da República Democrática do Congo mataram pelo menos 27 pessoas e fizeram desaparecer sete outras durante uma campanha contra o crime, entre maio e setembro de 2018, denunciou hoje a Human Rights Watch.

A campanha, conhecida entre as autoridades policiais como ‘Operação Likofi IV’, visava supostos membros de gangues na capital do Congo, Kinshasa, segundo a organização.

A Human Rights Watch diz ter descoberto que elementos da polícia, muitas vezes vestindo roupas civis, detiveram sem qualquer mandado membros suspeitos de gangues, conhecidos como ‘kulunas’, à noite, nas suas casas e noutros locais.

Em muitos casos, a polícia vendou e amarrou as vítimas, levou-as a locais não identificados e matou-as, acrescenta a organização.

A polícia deixou os corpos de algumas das vítimas perto das suas casas na manhã seguinte.

A maioria das vítimas foi estrangulada, numa aparente estratégia das autoridades de desviar a atenção da polícia, segundo a Human Rights Wach.

“O estrangulamento, o tiroteio e o desaparecimento de suspeitos sob custódia nunca são uma maneira legal de combater o crime urbano”, disse Ida Sawyer, diretora adjunta da Human Rights Watch em África.

“A nova administração do Congo deve pôr fim a campanhas policiais abusivas e trabalhar para garantir que os responsáveis por esses crimes horríveis sejam investigados e processados”, acrescentou.

A Human Rights Watch entrevistou cerca de 80 testemunhas, familiares de vítimas, médicos e assistentes sociais, ativistas, funcionários do Governo e outras pessoas em Kinshasa e por telefone, entre junho e dezembro de 2018.

Do grupo de entrevistados fazem parte quatro membros das forças de segurança, incluindo um policia que participou na operação.

As execuções e os desaparecimentos forçados documentados pela Human Rights Watch ocorreram entre maio e setembro de 2018, nas comunas de Kalamu, Kisenso e Limete, em Kinshasa.

Três dos mortos eram rapazes com idades entre 16 e 17 anos. Um menino de 15 anos está entre os desaparecidos, segundo a organização.

As vítimas incluíam ‘kulunas’ antigos e moradores locais que, segundo pessoas próximas, não estavam envolvidos em atividades criminosas.

“Para evitar que ele gritasse, eles [a polícia] colocaram um fio [preto] em volta do pescoço”, disse uma testemunha do assassinato de um jovem no dia 12 de maio de 2018, acrescentando: “Puxaram o fio com muita força, a ponto de ele começar a ter convulsões. Depois, ele tocou na barriga e desmaiou”.

O corpo da vítima foi deixado no bairro, enquanto outros dois rapazes que tinham sido detidos com ele continuam desaparecidos, segundo a organização não-governamental.

A Human Rights Watch diz ainda que os relatórios que referem pelo menos 11 casos adicionais em Kinshasa precisam ainda de ser verificados.

Um alto oficial das forças de segurança e vários outros conhecedores da operação disseram à Human Rights Watch que os alvos incluiam ‘kulunas’ conhecidos por mobilizar manifestações lideradas pela oposição.

A organização não-governamental documentou anteriormente os esforços do partido no poder para recrutar, pagar e empregar ‘kulunas’ para se infiltrarem e perturbar de forma violenta os protestos liderados pela oposição contra o ex-presidente Joseph Kabila.

Fontes do governo disseram que o objetivo da “Operação Likofi IV” era espalhar o medo na capital para travar os protestos relacionados com as eleições e que aconteceu no contexto de uma repressão mais ampla contra a oposição política e ativistas pró-democracia no país.

Os ‘kulunas’ foram responsáveis por graves crimes em Kinshasa, incluindo assaltos à mão armada e violentos ataques.

A primeira “Operação Likofi”, de novembro de 2013 a fevereiro de 2014, implicou a polícia nas execuções sumárias de pelo menos 51 homens e rapazes e no desaparecimento forçado de outras 33 pessoas.

Os assassinatos da “Operação Likofi IV” começaram logo após Henri Mova, vice-primeiro ministro e ministro do Interior e Segurança, ter apresentado, em abril, um plano nacional para combater a criminalidade urbana, inclusive eliminando o chamado “fenómeno kuluna”.

Várias semanas depois, na noite de 03 para 04 de maio, a polícia arrastou quatro supostos kulunas das suas casas e matou-os a tiro, levando os moradores a acreditar que uma nova “Operação Likofi” tinha começado.

Oficiais das forças de segurança sugeriram à Human Rights Watch que as vítimas subsequentes foram estranguladas, uma vez que o uso de armas de fogo apontava para a responsabilidade da polícia pelas mortes.

Em todos os casos investigados pela Human Rights Watch, as testemunhas disseram que as vítimas estavam desarmadas e não apresentavam risco iminente que pudesse justificar o uso da força pela polícia.

Disseram igualmente que os assaltantes usavam roupas civis ou uniformes policiais completos ou parciais, máscaras e capuzes para esconder os rostos. Em alguns casos, os assaltantes chegaram em jipes da polícia ou anunciaram-se como polícias.

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