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Deputados alemães querem intensificar relações com Angola

Barragem de Cambambe, em Angola (DR)

Após visita a Angola, deputados da Comissão de Assuntos Económicos e Energéticos mostram-se otimistas com possibilidade de contribuição no setor energético. Esperam clareza do Governo angolano e soluções para as divisas.

A visita de nove deputados federais alemães a Angola foi liderada pelo presidente da Comissão para Assuntos Económicos e Energéticos do Parlamento alemão, o deputado federal Klaus Ernst, do partido “A Esquerda” (Die Linke), com o objetivo de intensificar as relações bilaterais.

“Tratou-se de intensificar o trabalho conjunto através dos bons contatos que já existem entre Alemanha e Angola, ampliar os setores nos quais já estamos ativos, resolver os problemas e identificar onde o Governo angolano quer chegar e onde há a possibilidade para a Alemanha e para as empresas alemãs de apoiar esse processo”, descreve citado pela DW África.

Em Angola, os parlamentares alemães mantiveram encontros com diversos ministros e representantes do Governo angolano. O ponto alto foi o encontro com o Presidente João Lourenço. Para Klaus Ernst, há uma grande abertura por parte do Governo angolano para o investimento estrangeiro no desenvolvimento do país e o chefe de Estado angolano teria também apontado os setores prioritários.

“Naturalmente, o Presidente deseja que empresas alemãs invistam em Angola. Ele citou o trabalho conjunto na construção das centrais hidroelétricas e abordou o tema de forma positiva. Agora, precisa ser verificado como será o financiamento por parte de Angola”, revela.

Parceria com os chineses

Atualmente, empresas chinesas estão ativas no setor hidroelétrico e veem com bons olhos o apoio da tecnologia alemã. “Um grande sucesso é que, para o sistema elétrico, para todas as turbinas que são construídas, as empresas alemãs tiveram preferência – porque os chineses consideram que as centrais alemãs são confiáveis, funcionam e aparentemente trabalharam para que, no momento da distribuição dos pedidos para as centrais hidroelétricas, o equipamento elétrico pudesse ser fornecido pelas empresas alemãs”, afirma Klaus Ernst.

Também os empresários alemães ativos em Angola estariam interessados em investir mais. “Havia naturalmente o desejo, em particular das empresas alemãs, de gerir projetos de uma nova central hidroelétrica. Ainda há algumas pendências contratuais. Conversamos sobre esses detalhes e sobre em quanto tempo podem ser negociados. Acho que fomos muito bem sucedidos”, avalia.

Pendências financeiras

Mas o investimento em grandes projetos envolve também vultuosos volumes de dinheiro. Para o deputado Andreas Lämmel, da União Democrata-Cristã (CDU), é preciso primeiro haver garantias por parte do Governo angolano.

“Enquanto uma empresa, sobretudo uma empresa de médio porte, não puder garantir economicamente a sua filial em Angola, não continuará a investir. É preciso ter clareza sobre os projetos do Governo na área da infraestrutura, que licitações sólidas sejam feitas e que se possa confiar que, quando o Estado abrir uma concorrência, o projeto será construído da forma como foi descrito”, considera.

Os problemas com as divisas têm atormentado os investidores estrangeiros nos últimos anos, em que Angola entrou em crise financeira. Além dos governos, também os bancos teriam um papel importante a cumprir, defende Klaus Ernst.

“Precisam ser oferecidas as garantias apropriadas para que as empresas que investem muito dinheiro tenham a certeza de que receberão o seu dinheiro. Isso funciona em Angola”, garante.

“Houve problemas com investimentos privados, com a confiabilidade do pagamento pelos angolanos – devido à grande escassez de divisas. Estes são problemas que abordamos também com o governador do Banco Nacional de Angola. Penso que tudo será resolvido no futuro. O Governo alemão está a acompanhar isso de maneira positiva, ajudando também a garantir o financiamento de tais projetos”, acrescenta o parlamentar.

É o que garante também o deputado Joachim Pfeiffer, da CDU, acrescentando o papel do Governo alemão no processo de oferecer garantias financeiras aos empresários alemães. “Acredito que também temos que criar instrumentos que assegurem investimentos de risco, especialmente por parte de empresas médias em África. Vejo também como nossa tarefa aqui na Alemanha, que continuemos a melhorar os instrumentos e é nisso que estamos a trabalhar em termos concretos no Parlamento alemão e com o Governo Federal no momento”, revela.

Sinais positivos de Luanda

Entretanto, os deputados alemães destacam que um bom sinal dado ao mercado pelo Governo angolano seria o programa de reestruturação macroeconómica, junto ao Fundo Monetário Internacional, relata Joachim Pfeiffer.

“Por isso, estou otimista de que as reformas, incluindo as reformas estruturais, que foram apoiadas e iniciadas pelo novo Presidente serão marcadas pelo sucesso e, a médio e longo prazos, Angola terá uma base boa e segura para o investimento”, considera.

Durante a visita a Angola, os parlamentares alemães foram até à central hidroelétrica de Cambambe, onde empresas alemãs estão envolvidas na construção e operação. Segundo Joachim Pfeiffer, há ainda grande potencial de exploração.

“Com isso, Angola tem a possibilidade de garantir energia e eletricidade sustentáveis, por um lado, introduzir para a própria população uma forma moderna de energia como eletricidade, mas também a longo prazo melhorar a segurança do suprimento de energia para a região sul do continente e exportar eletricidade”, avalia.

Grandes possibilidades de investimento

Além do setor da energia, os parlamentares alemães vêm grandes possibilidades de investimento em diversas outras áreas, com destaque para o abastecimento de água e a agricultura.

Em abril, uma delegação angolana é esperada em Berlim para participar numa conferência sobre energia e continuar as negociações.

“Espero que agora se resolvam rapidamente as pendências em relação aos projetos que estão planeados, que avancem e que nas áreas de abastecimento de energia e agricultura a cooperação entre a Alemanha e a Angola seja intensificada”, conclui o chefe da Comissão para Assuntos Económicos e Energéticos do Parlamento alemão, Klaus Ernst.

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