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Invasores de terreno acusados de agressão

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Dois jovens dizem ter sido agredidos há dias por 15 supostos invasores de um terreno, no Zango IV, município de Viana, em Luanda, quando, colhiam fruta na quinta da tia de um deles.

O relato da agressão, que terá ocorrido a 29 de Janeiro, foi contado por uma das vítimas, de 27 anos, que disse ter sido também vandalizada a viatura que usavam.
O jovem que relatou a agressão ainda tinha uma tala num dos braços e escoriações já a cicatrizar em várias partes
do corpo.

“Fomos surpreendidos por 15 indivíduos desconhecidos, que nos atacaram com catanas, barras de ferro e pás”, contou a vítima. Disse ainda ter fracturado o braço direito e sofrido lesões nas pernas, enquanto um dos acompanhantes, de 24 anos e proprietário da viatura vandalizada, sofreu um corte profundo na cabeça, suturado com dez pontos.

“Ficámos sem saber o que se estava a passar, porque os agressores gritavam que merecíamos o que estavam a fazer, por termos partido as suas moradias”, descreveu a vítima, que disse terem ficado sem os telemóveis, carteiras de documentos e outros objectos.

Os dois jovens contam ter conseguido, com muito esforço, entrar na viatura, que ficou “irreconhecível”, porque os agressores quebraram os vidros e os retrovisores e amolgaram a chaparia.

Na esquadra mais próxima, onde tentaram procurar auxílio e reportar o caso, não foram bem sucedidos, lamentou uma das vítimas, que se manifestou ainda agastado com a atitude dos agentes, por terem sido proibidos de estacionar a viatura vandalizada junto ao posto policial. Os jovens dizem não entender a actuação dos agentes do posto policial da área, “por não deter preventivamente” os presumíveis agressores.

O desapontamento dos dois jovens com a suposta “má actuação da Polícia” deve-se ao facto de os agentes com quem falaram e viram as marcas da agressão terem alegado que não havia viatura para ir ao local, a cerca de 900 metros de distância do posto policial.

O intendente Mateus Rodrigues disse ao Jornal de Angola que desconhecia o assunto, razão pela qual conversou por telefone com o jovem, a quem recomendou que apresentasse uma queixa junto da área de Inspecção do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, contra os agentes, “por não terem presumivelmente agido como mandam as regras”.

Depois de terem deixado o posto policial, os dois jovens receberam os primeiros socorros numa unidade militar, de onde foram transferidos para o Hospital Geral Especializado, localizado no Zango II, onde deram continuidade ao tratamento.

Quando regressaram ao posto policial para saber se já havia viatura, um oficial, que admitem ser um dos responsáveis do posto, disse que não era possível à Polícia ir ao local da agressão por falta de viatura e por temer pela vida dos agentes.

“Apenas fomos fotografados”, acrescentou o jovem, cuja tia, dona da quinta há 20 anos, já foi vítima de agressão por presumíveis invasores de terreno no Zango, um problema do conhecimento da Administração Municipal de Viana.
Devido à vandalização constante da quinta, a tia desactivou uma área que servia de lazer da família, com “medo dos invasores de terreno”, assegurou o jovem, acentuando que “a quinta é assaltada sempre que a tia se desloca ao exterior”.

O Jornal de Angola conseguiu falar com o marido da dona da quinta, que confirmou a agressão de que foi vítima o sobrinho. Porém, preferiu não dar informações sobre os assaltos ao espaço com o argumento de que a família não quer expor publicamente o assunto, que está a ser resolvido pelas autoridades administrativas do município.

Conflitos de terra

O Jornal de Angola soube de moradores do Zango que conflitos de terra têm ocorrido regularmente naquela parcela da província, uma informação confirmada por uma fonte do Serviço de Fiscalização da Administração Municipal de Viana.
A fonte, que preferiu não se identificar, alegando ser um “assunto sensível”, declarou que “os casos são do conhecimento da Polícia Nacional e envolvem efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), ex-militares e invasores de terreno, que se fazem passar por antigos proprietários”.

A fonte que vimos citando disse não ter conhecimento de casos de disputas de terrenos que tenham sido levados às barras do Tribunal, mas salientou que os invasores de terreno normalmente dizem ser proprietários dos espaços onde estão a ser erguidas moradias.

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