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Ministro angolano dá nota positiva às reformas da UA

MANUEL AUGUSTO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIOR DE ANGOLA (FOTO: ANTÓNIO ESCRIVÃO)

O ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, atribuiu hoje, em Addis Abeba, nota positiva às reformas em curso na União Africana (UA), conduzidas pelo presidente Paul Kagame do Rwanda.

Em declarações à imprensa angolana que se encontra em Addis Abeba para cobertura jornalística da 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, a ter lugar a partir de domingo (10), Manuel Augusto sublinhou que os líderes africanos fizeram um esforço para dotar a organização de meios humanos e materiais, para prossecução dos seus objectivos.

Segundo avança Angop, o ministro angolano referiu que o processo de reformas a nível da organização é consensual, mas a forma de implementação é que nem sempre é unânime, daí estarem a trabalhar, para que dessa cimeira possam tomar algumas decisões.

Apesar dos passos já dados, Manuel Augsto reconheceu que nestes últimos anos houve muitos acontecimentos bons e outros negativos, como as guerras, as endemias e as crises humanitárias, que tiveram um impacto no trabalho da organização.

O chefe da diplomacia angolana recordou que o mais o importante no meio de todo esses processos geridos pela UA é que houve um “radicalismo de mudança”, em 2018, um processo conduzido pelo presidente em exercício da organização o ruandês Paul Kagame.

“Estamos em condições de dizer que África, enquanto continente, deu passos significativos para alinhar com a tendência mundial dos grandes blocos regionais. Naturalmente esses processos levam tempo, por isso são mesmo processos”, referiu.

Na sua óptica, os diferentes níveis de desenvolvimentos e os interesses nem sempre coincidentes dos vários estados, condicionam em muito, ou limitam a velocidade com que as lideranças africanas gostariam de ver as suas reformas adoptadas.

Apesar de existirem visões diferentes sobre os vários assuntos, destacou as reformas aprovadas no último ano, embora ainda sujeitas a alguns retoques, aspectos que serão objecto de discussão ao detalhe, por exemplo, a forma de eleger os executivos da organização.

Lembrou que o grande acontecimento do ano, no quadro das reformas, foi a aprovação do Acordo da Zona de Livre Comércio Continental, um acordo muito importante para África e para o resto do mundo.

Segundo Manuel Augusto, o acordo de livre comércio é importante, porque sendo a África o maior depositário de matérias-primas, tudo o que se aprova e se adopta em matéria da integração económica continental tem impacto noutros continentes, particularmente àqueles que são os compradores das matérias-primas, no sector dos equipamentos e serviços.

Em relação a problemática dos refugiados e deslocados internos, tema central desta cimeira, o ministro disse ser necessário atacar as causas que originam este fenómeno e encontrar meios para atenuar as consequências deste flagelo.

“Deveremos continuar a lutar também para eliminar as causas, como a pobreza, a má distribuição da renda, as desigualdades em cada um dos nossos países, catástrofes naturais e a falta de políticas de estados inclusivas”, enfatizou.

Uma das soluções apontadas por Manuel Augusto passa por melhorar o nível de vida dos cidadãos a nível dos países africanos, através do desenvolvimento de programas económicos que criem empregos para a juventude.

O ministro angolano participa neste domingo na 32ª Cimeira da UA, em representação do Chefe de Estado, João Lourenço.

A Cimeira 32ª Cimeira, a decorrer sob o tema “Ano dos Refugiados, retornados e deslocados internos: Soluções duráveis para o deslocamento forçado em África”, será presidida pelo Presidente do Egipto, Abdel Fattah Al-Sisi, que assume a presidência rotativa da organização, a partir deste domingo (10).

A reunião das lideranças africanas será marcada pela análise das mais importantes questões da actualidade, como a implementação da decisão da reforma da organização, as eleições realizadas em 2018 no continente, a integração regional, a situação de paz e segurança, a situação humanitária e a análise do orçamento para 2019.

Durante a sessão, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que cessará as suas funções enquanto líder da organização continental, deverá apresentar um relatório sobre o processo de reformas em curso na instituição, como resultado da 11ª Sessão Extraordinária da Cimeira dos Chefes de Estado sobre reformas, realizada de 17 a 18 de Novembro de 2018.

Na sessão, o presidente da comissão da União Africana deve apresentar um relatório sobre a situação de paz e segurança em África e as acções empreendidas pela organização relativas a matéria em 2018.

A situação de crises no continente, sobretudo em países como a RDCongo, RCA, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Burindi, Somália, e informações actualizadas sobre a implementação do roteiro mestre para silenciar as armas até 2020, bem como os processos eleitorais realizados em 2018 na RDCongo, Serra Leoa, Camarões e São Tome e Princípe, também farão parte do relatório de paz e segurança.

A Cimeira abordará também a questão do combate ao terrorismo e ao extremismo violento em África.

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