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“No Kero há colonização e falta de amor ao próximo”

(DR)

“Exactamente isso, Sr. Jornalista. Para além de nos pagarem 40 mil kwanzas, o trabalhador não tem voz. Se reclamar, vai para o olho da rua! É tipo no tempo colonial. Nós corremos muitos riscos. Largamos às 22h, o transporte tem rota limitada e chegamos quase todos os dias a madrugada nas nossas casas.

Por exemplo, nós vivemos no Cacuaco e trabalhamos no Kilamba. O Transporte só pode chegar até ao desvio do Zango! Pedimos transferência para as lojas mais próximas da zona habitacional, não somos tidos nem achados. Imaginem que há trabalhadores que vivem no Kilamba e zango, trabalham no Kero do Cacuaco. E nós do Cacuaco trabalhamos no Kilamba! Nem troca aceitam. Corremos ricos de vida todos os dias por 40 mil kwanzas. Aqueles brancos nos maltratam de verdade. Somos vistos como cães”!

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