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Identificados túmulos das vítimas dos massacres de 1961

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Um projecto criado com o propósito de reconhecer e valorizar figuras históricas de Quiculungo, província do Cuanza-Norte, permitiu a descoberta de 243 túmulos e duas valas comuns, onde foram enterradas mais de mil nacionalistas locais e familiares, mortos em 1961, na sequência da repressão que se seguiu ao assalto à Cadeia de Reclusão de São Paulo, em Luanda.

Segundo o Jornal de Angola, os sepulcros estão situados nas zonas do Camboa, sede municipal, Chandula, Ngongolo, Dala-Muzemba, Cangundo, Londa e Bonzo e foram descobertos através de registos históricos e memória de sobas e outros anciãos locais, através de um programa de identificação e valorização de figuras e monumentos históricos locais, instituído pelo Ministério da Cultura, em 2010.

De acordo com o administrador municipal, David João Buba, o massacre dos nacionalistas de Quiculungo começou na manhã de 15 de Março, com o assassinato do Soba Londa Matias Fanikissa, a esposa e oito filhos e terminou a 23 de Abril do mesmo ano.

Na altura com 29 anos, Domingas Fanikissa, filha do soba, recorda que os pais e os oito irmãos saíram de casa com o propósito de responder a uma acusação de rebeldia junto das entidades administrativas locais.

Domingas Fanikissa lembra que na altura o pai era detentor de uma fazenda de café e outros bens cobiçados por colonialistas portugueses que, muitas vezes, tentaram obter com propostas inadequadas, mas sem sucesso, daí a causa da morte dos pais e irmãos, estes últimos, para não se rebelarem contra os assassinos dos seus progenitores.

O administrador David João Buba ressaltou que além dos túmulos, foram identificados a casa da PIDE-DGS (Polícia Política Portuguesa) e familiares das vítimas assassinadas na era colonial, que vão contribuir para a criação de um acervo histórico local.

David João Buba adiantou que entre os municípios de Banga e Bolongongo existem as regiões de Cazambula Mambo, floresta de Mbuiti e Fortins da Fazenda de Santa Ermínia onde foram travados vários combates entre as forças portuguesas e nacionalistas angolanos, no âmbito da resistência contra a ocupação colonial, mas que são pouco conhecidos ou referenciados.

Para o administrador, o 4 de Fevereiro deve ser um momento de profunda reflexão para os angolanos, quer sejam da velha como da nova geração, porque marcou uma fase histórica do país, com o prenúncio da Independência nacional, proclamada em 1975.

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