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Idosos criminosos: Quando a prisão é o melhor lugar para se viver

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O número de idosos que comete delitos puníveis com penas de prisão tem vindo a aumentar no Japão e há uma explicação triste para isso.

De acordo com o MSN que cita o Notícias ao Minuto, em 1997 apenas um em cada 20 idosos japoneses tinha cadastro criminal. Porém, duas décadas depois este número subiu para 1 em cada cinco e a explicação não tem ligação ao mundo do crime.

Uma reportagem da BBC pôs a nu esta dura realidade. Há cada vez mais idosos que vivem no Japão sem condições. A falta de dinheiro deixa-os sem um lugar para viver e sem comida na dispensa, o que lhes deixa (pelo menos no seu entender) apenas com uma solução: ir para a prisão.

O jornalista da BBC, Ed Butler conversou com Toshio Takata, um homem de 69 anos que passou quatro dos últimos oito anos na prisão.

“Quando me aposentei fiquei sem dinheiro e então ocorreu-me que poderia viver de graça na prisão”, contou à BBC.

Num país onde mesmo os pequenos delitos são severamente castigados, não foi difícil para Toshio ser preso. “Roubei uma bicicleta e fui à esquadra dizer o que tinha feito”. Dito e feito. Toshio foi condenado a um ano de prisão.

Quando saiu em liberdade, o homem voltou a desafiar a lei. Desta vez ameaçou duas mulheres com uma faca, tudo para ir novamente para a prisão. E assim tem passado quatro dos últimos oito anos.

Questionado pelo jornalista se gosta de viver na prisão, Toshio garante que não é uma questão de gostar ou não. É uma questão de necessidade.

“Não é que eu goste, mas a verdade é que vivo de graça”, refere, lembrando que mesmo estando detido continua a receber a pensão. Portanto, é uma forma de “economizar dinheiro”, o que torna tudo “menos doloroso”.

Mas este não é caso único. Keiko (nome fictício) tem 70 anos e sem ter onde morar entrou no mundo da criminalidade. “Foi a minha única hipótese: roubar”, lamenta a idosa que conta que há octogenárias que “mal conseguem andar”, mas que também estão a cometer crimes”. Porquê? “Porque não têm dinheiro, não têm o que comer”, assegura.

De acordo com a BBC, das 2,5 mil pessoas com mais de 65 anos que foram condenadas em 2016, mais de um terço era reincidente, tal como demonstra a história de Toshio.

Estes números traduzem não só o aumento da criminalidade entre idosos, como as condições em que os mais velhos vivem. Com pensões baixas, sem família, sem ter o que comer e sem ter um ombro amigo para os amparar.

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