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Guiné-Bissau: Funcionários da TGB suspendem cobertura de eventos políticos

António Nhaga, Bastonário da Ordem dos Jornalistas, congratula-se com os profissionais da Televisão da Guiné-Bissau (TGB) que decidiram boicotar tudo, reclamando o fim da censura no único canal público do país.

Há uma disputa partidária muito renhida no que concerne ao controlo dos conteúdos veiculados pela Televisão Pública da Guiné-Bissau (TGB), único canal televisivo público no país. Cada partido que chega ao poder na Guiné-Bissau toma, como uma das primeiras medidas, a nomeação para o cargo de diretor-geral alguém de muita confiança partidária. O intuito é controlar, na totalidade, os conteúdos a serem transmitidos e ganhar maior visibilidade junto da população.

Inúmeras reclamações já foram apresentadas pelo presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, e pelos partidos políticos AIGCC, PCD, APU-PDG e UM sobre a atuação partidária junto dos media oficiais do país. Agora é a vez dos próprios jornalistas da TGB dizerem que já basta de censurar alguns partidos e colocar a antena o dia inteiro à disposição de outros.

Boicotar atividades partidárias

Com a tomada de posse do novo sindicato dos profissionais da TGB, em janeiro, a primeira decisão anunciada foi a de boicotar a cobertura jornalística dos partidos até que estejam reunidas as condições para criar equilíbrio nas notícias difundidas.

Segundo aquele sindicato, a TGB até poderá não cobrir a campanha para as legislativas de março se a censura persistir no órgão. O sindicato pede também a demissão do diretor de antena, Eusébio Nunes.

“Nesta primeira fase, decidimos boicotar assuntos que têm a ver com a política e os partidos políticos, porque nunca é tarde para fazer a justiça. É claro que temos a consciência que a censura na TV não é de hoje. Nós pedimos a demissão do atual diretor de antena porque ele manifestou publicamente que é militante ativo de um partido político. Íamos ter limitações em pedir a demissão do diretor-geral por ser um cargo político e não administrativo”, conta Clodê N’Tchama, porta-voz dos profissionais.

Sequestro da TGB

Os próprios telespetadores, cansados de ver a propaganda política e o chamado “sequestro da Televisão Pública”, confrontam os jornalistas nas ruas sobre o serviço público prestado pela TGB, revela ainda Clodê.

“Uma das coisas que motivou a nossa decisão é que a nossa dignidade enquanto profissionais estava a ser muito beliscada publicamente. Não podemos continuar a intoxicar a opinião pública com uma informação parcial, sem rigor, sem isenção e sem compromisso com a sociedade”, diz.

“Fakes News” na TGB

O Bastonário da Ordem dos Jornalistas, António Nhaga, disse que há muito que vem avisando a direção do canal televisivo sobre esse tipo de comportamento, mas que o mais grave em todo este quadro são as notícias falsas veiculadas diariamente.

“Além de ser muito parcial, temos uma televisão que permanentemente passa notícias falsas. 90% dos conteúdos que passam na TGB não são verídicos, são opiniões das pessoas e não factos. É triste! Os funcionários têm toda a razão porque não trabalham com independência e têm a consciência que têm publicado regularmente Fake News”, relata o jornalista.

Para alguns jornalistas guineenses a TGB está a perder muita audiência devido à esta situação cujas ordens para censurar “nunca se sabe ao certo de quem vem”. Pelo facto, os trabalhadores da televisão pública decidiram, de ora em diante, “não tratar nenhuma notícia sobre política interna”, anunciou o sindicato.

Contatado pela DW África, o ministro da Comunicação Social, Vítor Pereira, recusou prestar declarações sobre o assunto.

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