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Nigéria: Suspensão do presidente do Supremo aumenta tensão

A três semanas das eleições na Nigéria, os receios aumentam. Às dificuldades logísticas da organização do escrutínio a 16 de fevereiro soma-se o recente afastamento do presidente do Supremo Tribunal pelo chefe de Estado.

O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, que concorre a um segundo mandato, anunciou a demissão de Walter Onnoghen, na sexta-feira (25.01), por alegadas irregularidades na sua declaração de bens. O Supremo Tribunal tem competência para decidir sobre eventuais litígios nas eleições.

As reações não se fizeram esperar. Para o principal da oposição, o Partido Popular Democrático (PDP), trata-se de um “ato digno de uma ditadura” e por isso, em protesto contra a decisão do Presidente, suspendeu a sua campanha eleitoral por 72 horas.

“É um assassinato em larga escala da democracia e nós não aceitamos isso”, declarou Francis Abuul, membro do PDP. Não é saudável para a nossa democracia. Se o governo quiser dar provas de que nos quer dar eleições credíveis, que o mostre agora”, desafiou citado pela DW África.

Também a União Europeia (UE), os Estados Unidos e a Grã-Bretanha expressaram, durante o fim de semana, a sua preocupação com a suspensão do principal juiz do país. Em resposta, o governo de Buhari fez saber que não aceitaria qualquer “interferência estrangeira” no processo.

84 milhões de eleitores

Oitenta e quatro milhões de nigerianos são chamados às urnas a 16 de fevereiro, o que deixa a Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) com um grande desafio em mãos. O número de eleitores registados é o maior de todos os tempos na Nigéria. Foram criadas perto de 120 mil assembleias de voto em 774 distritos.

No entanto, estes números não assustam a CENI. “A comissão está pronta. Temos trabalhado em conjunto com as partes interessadas para preparar o registo eleitoral. Até agora, os preparativos para as eleições estão a correr muito bem”, garante Aliyu Bello, vice-porta-voz da Comissão Eleitoral.

Mas há quem não esteja tão confiante. Jude Udo Ilo, da Open Society Initiative, que promove a governança democrática, disse à DW que tem sérias dúvidas quanto à capacidade da CENI de organizar eleições credíveis. “Há razões para preocupação. Por exemplo, um mês antes da eleição, o recrutamento e formação do pessoal ainda não foi concluído”, lembra.

A juntar a todo este cenário, está ainda a questão da segurança. Os frequentes ataques do grupo terrorista Boko Haram em solo nigeriano, e que obrigaram já milhares de pessoas a abandonar as suas casas, são uma ameaça à participação no ato eleitoral. “Irei votar se o governo garantir a segurança . Caso contrário, não”, diy Mathew Musa, que fugiu do distrito de Madagali, em Yola, estado de Adamawa, por causa da violência.

Dentro de três semanas, a Nigéria vai eleger um novo parlamento e um novo Presidente. A eleição dos governadores e assembleias dos estados realiza-se duas semanas mais tarde.

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