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Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda decidem hoje sobre fim de greve

Os trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) reúnem-se hoje em plenário para decidirem sobre a possibilidade de levantarem a greve na empresa, que desde 17 de janeiro condiciona as ligações ferroviárias na capital angolana.

De acordo com o Diário de Notícias que cita a Lusa, a administração da empresa e a comissão negociadora dos trabalhadores em greve chegaram quarta-feira a acordo sobre o fim da paralisação, que será votado na sexta-feira, conforme explicou à Lusa o secretário da comissão sindical para os assuntos jurídicos, Dias Kinquela.

“Vamos apresentar ao coletivo de trabalhadores amanhã [sexta-feira], caso seja aceite vamos suspender a greve e até segunda-feira deveremos retomar os trabalhos”, disse Dias Kinquela, reforçando que será uma suspensão, tendo em conta que há prazos definidos na lei.

Em causa estava um caderno reivindicativo de 19 pontos submetido à direção da empresa, que tinha como principal ponto de divergência o pedido de aumento em 80% do salário, que a empresa dizia não ter capacidade para atender.

Sobre esta questão, o comunicado da administração refere que ficou acordado entre as partes que este aumento será feito de acordo com a produtividade da empresa e numa proporção que será determinada pelos rendimentos que a empresa vier a obter da sua atividade, começando pelos salários mais baixos.

A nota avança que ficou igualmente acordado que a decisão de aumentar os salários será precedida de uma avaliação, a ser feita conjuntamente entre as partes, para determinar as condições financeiras da empresa, três meses após ao início de implementação dos acordos.

Após cinco dias de greve por tempo indeterminado, os trabalhadores paralisaram também, desde sábado, os dois comboios que circulavam em cumprimento à lei, enquanto serviços mínimos.

O sindicalista Dias Kinquela salientou que na primeira quinzena de abril será realizado um novo encontro com o coletivo de trabalhadores para avaliação do cumprimento ou não das promessas feitas pela administração.

O CFL realiza diariamente 17 viagens de comboio suburbano de passageiros, transportando, nos três serviços, perto de 6.000 pessoas, além da circulação bissemanal para as províncias do Cuanza Norte e Malange.

Além do aumento salarial, os trabalhadores exigiam melhorias das condições de trabalho, a atribuição de subsídios de alimentação e instalação, bem como a atualização de categorias laborais.

Com a paralisação dos comboios, a administração do CFL falava em perdas diárias de 1,5 milhões de kwanzas (4.227 euros).

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