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Denúncia é das autoridades tradicionais: MPLA promovia sobas fantasmas no Kuanza-Sul

As autoridades tradicionais (regedores e sobas) da província do Kuanza-Sul receberam com desagrado, a medida do novo governador Job Capapinha, que prevê a redução do número destes na província.

As mesmas autoridades tradicionais que já prometeram recorrer ao Presidente da República, João Lourenço, sustentam que foi o partido no poder que, ao longo de vários anos foi promovendo, os sobas sem respeitar as regras tradicionais.

“O MPLA esqueceu-se que os sobas devem ser indicados por linhagem, mas isso não aconteceu. Ao longo de vários anos fomos vendo pessoas que não pertencem a procedência foram promovidos como sobas. Que culpa têm eles?”, questionaram.
Por isso, avisaram que vão recorrer ao Presidente da República João Lourenço para manifestarem o seu descontentamento face a situação.

As autoridades tradicionais avisaram ainda a Job Kapapinha, para governar a província com transparência e não “transportar” os seus vícios quando governou a província de Luanda.

“Há muita coisa para resolver nesta província, mas preferiu logo atacar as autoridades tradicionais. Mas haver vamos”, prometeram os habitantes da cidade do Sumbe.

Refira-se que, o novo governador do Kuanza-Sul, Job Capapinha, pediu um levantamento do número de sobas inscritos na Associação das Autoridades Tradicionais (ASSAT), para se acabar com os “fantasmas” e facilitar o trabalho do Governo.
Numa reunião, realizada sábado, com autoridades tradicionais residentes no município do Sumbe, um dia depois de receber as pastas como governador do Cuanza-Sul, Job Capapinha reconheceu que “a província vive um momento difícil” e pediu aos sobas para estarem preparados para ajudar o Governo a identificar os problemas que afectam as populações e assim discutir os programas para a busca de soluções.

Job Capapinha alertou os sobas inscritos na ASSAT e os membros do Governo a mudarem de mentalidade quanto à questão dos “falsos sobas”, que de forma ilegal são incorporados na classe das autoridades tradicionais.

Os líderes tradicional, ocupam-se com a administração da aldeia.
Na verdade, os sobas são responsáveis pela organização e mobilização das comunidades em resposta às intervenções sociais, económicas e políticas.

O papel do soba também é significativo no que diz respeito às questões de posse da terra, reassentamento das populações deslocadas, a coordenação e distribuição de ajuda de emergência e de apoio de fundos mútuos.

As autoridades tradicionais arbitram deste modo a regularização dos litígios derivados da posse de terra no seio da comunidade. Além disso, as actividades das autoridades tradicionais não seguem a lei formal, mas seguem as leis comunitárias.

Em todo o país, as mulheres representam somente 1% dos sobas (22).
No período colonial as autoridades tradicionais foram fundamentais para a preservação da cultura angolana e combate contra as forças ocupacionais, tendo os portugueses apenas conseguido a ocupação efectiva do interior de Angola já em pleno século XX.

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