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Jornalismo angolano fica mais pobre

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Lutock Matokisa, um grande profissional do jornalismo angolano. (DR)

O adeus a um grande profissional…

Foi com tamanha estranhesa e tristeza que eu e meu compadre Osvaldo tomamos conhecimento do passamento físico do nosso kota Lutock Matokisa, um grande profissional do jornalismo angolano.

Conheci-o em 2008, aquando da minha entrada no mundo do jornalismo da ‘grande mídia’ saído do meu jonal Comunitário o Ecos do Henda, de onde fui catapultado para o Jornal A Capital, na altura, sem desprimor dos outros jornais daquela época, um dos melhores jornais onde a área social era a mais fértil em informação.

Era meu superior hierárquico, enquanto editor de sociedade e eu repórter da editoria de crime, uma sub-área da editoria social. Rigoroso na escita e no trabalho que fazia, só aguentava o ‘Kota Matos’ ou ‘Chefe Matos’ como era carinhosamente tratado por todos nós, os seus pupilos, quem tinha garra.

Por ele passaram bons profissionais como Júnior Kayeye, Miguel Daniel, André Kivuandiga, ambos no Jornal Nova Gazeta, Mirene da Cruz, ainda nas lides do jonalismo, mais precisamente no jornal Expansão, os putos João Feliciano, Filipe e Manuel Alberto e, como não poderia deixar de ser eu próprio. Sem esquecer a Andreza Dombala que depois da pressão do kota teve que ‘imigrar’ para a área administrativa e ‘fugir’ a exigência do chefe.

Nestas andanças, com os nossos copos à mistura e com o seu hábito peculiar de registar em fotos todos os momentos da vida com os amigos e seus companheios de trincheira – diga-se do jornalismo – embora tenha mesmo passado na tropa, Lutock Matokisa sempre foi um homem que apresentava as suas teses e gostava de debatê-las com os mais novos e mesmo com os kotas, nomeadamente Man Zé, Tandala – nem tanto – Zugú Epalanga, Analtino e o não menos conhecido kota ‘Mini Kangamba’ confome ficou apelidado o kota Presbítero nos nossos dias de fecho de edição, que ocorriam no ‘bunker’ ou depois no Prenda no Quintal do Semba.

Bom apreciador de um bom vinho e as vezes de um bom Whisky kota Matos estava sempre rodeado de kambas. Lá mesmo na sua ‘bandula’, muitas vezes já fomos ao seu encontro paa matar as saudades do tempo do A Capital, lembrarmos a morte pematura de um jornal que tinha tudo e mais alguma coisa para dar certo, mas que, por ironia do destino foi comprado para ser encerrado por figuras até aqui desconhecidas. Maboque enfim!!! Já dizia o meu chefe escuteiro de onde eu fui moldado, com a graça de Deus.

Entretanto, não me posso esquecer dos momentos menos bons, por que passamos muitas vezes, por causa da sua maneira de ser, aliada a alguma teimosia do homem. Que o diga o Miguel Daniel, a Andreza, o próprio Osvaldo, que já foi ‘obrigado’ a servir de ‘carne de canhão’ e que, por último, acabou por ser o seu ‘fiel escudeiro’ e pupilo bem como alguns kambas do ‘antigamente’ como o kota Kayeye que mesmo por causa da tal teimosia que referi acima nunca o abandonaram. Ainda assim, afável, sorridente e sempre bem disposto, era daqueles kotas que ‘kuyava’ ficar do seu lado e beber da sua água, muitas vezes em português e outras em Umbundu, língua que dominava fluentemente.

Com passagens no jornal Cruzeiro do Sul, no tempo do kota Ismael Mateus, jornal Agora, na época do malogrado Aguiar dos Santos, jornal Terra Angolana, de Armando Ferramenta e, por último, no jornal A Capital durante o consulado do director Tandala Francisco, Lutock Matokisa colaborou também em alguns órgãos de comunicação social, como é o exemplo do Portal de Angola, e deixa, certamente, um grande vazio no seio da classe jornalística e deixa mais pobres os jovens, como nós, que gostávamos e gostaríamos de continuar a beber da sua experiência e sapiência.

Lutock Matokisa faleceu na tarde desta segunda-feira, 14, na província do Huambo para onde se tinha deslocado em Dezembro, para ver a família, vítima de doença de poucos dias e foi a enterrar nesta quinta-feira, 17, num dos cemitérios daquela província do centro do país.

Paz à sua alma e que a terra lhe seja leve.

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