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Lepra deixa mais de 500 crianças com deformidade na mão em Angola

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Estima-se que actualmente o rácio da doença seja de 20 casos por 1000 habitantes. Uma das organizações de combate à enfermidade defende maior interacção entre o Governo e os parceiros sociais que actuam nesse sector.

Mais de 500 crianças, de diferentes faixas etárias, contraíram deformidades nas mãos em consequência da lepra em todo o país, revelou ontem, em Luanda, a Associação para a Reintegração de Pessoas Atingidas Pela Lepra (ARPAL). De acordo com o conselheiro da associação, Inácio Pedro, que falava em exclusivo a OPAÍS, só na província de Luanda foram registados mais de 200 casos o ano passado, perfazendo uma média de dois a três casos novos por semana. A título de exemplo, explicou que foram diagnosticados mais dois casos na última Sexta-feira, 11, na Funda.

“Por ser um sinal caracterizado por uma mancha que não dá sintomas de comichão nem ardor, geralmente as pessoas não dão muita importância, pelo que se vai alastrando”, frisou, acrescentando que em fase avançada pode levar à perda dos dedos.

Com o objectivo de “fazer frente” à doença, o responsável afirmou que foi elaborado um programa, no qual, duas vezes por semana um grupo de 10 profissionais do sector da Saúde, (incluindo uma dermatologista) deslocam-se ao Dispensário de Luanda e à Leprosaria da Funda para fazerem consultas e e dar medicamentos à população. A par disso, realçou que também é feito um trabalho para o combate ao preconceito de que os pacientes têm sido vítimas. “ A nossa meta é erradicar a doença, atingir o rácio de um caso por um milhão de habitantes”, esclareceu.

Doença de perna de elefante regista aumento de casos

Por outro lado, Inácio Pedro afirmou que a ARPA tem prestado também atenção aos casos das doenças negligenciadas, com enfase à filaríase linfática (também conhecida como perna de elefante). Segundo o registo da organização, em 2018, as províncias de Luanda, Huíla, Uíge e Benguela foram as que mais casos registaram, designadamente, com 97, 12, cinco e quatro, respectivamente.

Anteriormente, o país não era considerado uma zona endémica, em termos de doenças negligenciadas. Entretanto, a multiplicação de casos levou o Ministério da Saúde e os seus parceiros, nomeadamente a Organização Mundial da Saúde, a desenvolver um estudo que ainda não está concluído para se determinar o rácio da doença em relação ao número de habitantes do país. A par disso, esclareceu que em 2017 a ARPAL realizou uma pesquisa, na qual chegou à conclusão de que inicialmente o rácio era de três casos de Filaríase linfática por 10 mil habitantes. Ao passo que actualmente estima-se que seja de 20 casos por 1000 habitantes.

Em benefício do Estado, sem apoio do Estado

Inácio Pedro afirma que a ARPAL trabalha há cerca de 15 anos em prol do bem-estar da população angolana, tem passado por dias difíceis para a execução dos seus programas, uma vez que deixaram de receber o financiamento da embaixada da Suíça. Dinheiro esse que servia, sobretudo, para as deslocações às províncias, onde eram realizadas acções formativas para agentes comunitários, bem como eram preparadas palestras.

Eram distribuídos folhetos informativos em locais público, como escolas, com o objectivo de se combater a discriminação contra as pessoas que sofrem com filaríase linfática e não só. Do governo angolano, dizem não terem recebido qualquer apoio financeiro, além duma sala onde realizam as consultas no dispensário. Salientando que nem apoio do Ministério da Saúde recebem.

“O trabalho deveria ser realizado em parceria com o governo para a obtenção de melhores resultados, não só no tratamento da doenças mas também no combate ao estigma”, sublinhou. Apesar disso, afirma que a organização não “cruzou os braços” e continua a desenvolver os seus projectos. Muitas das vezes, quando se deslocam às províncias, os técnicos dormem nas tendas para que a população seja atendida.

A filaríase é uma doença parasitária, considerada como doença tropical infecciosa, causada por nematóides filariais. Conhecida entre os angolanos como “perna de elefante”, caracteriza-se pelo inchaço e engrossamento da pele e tecidos subjacentes, que foi a primeira, entre as enfermidades infecciosas transmitidas por insectos, a ser descoberta.

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