Portal de Angola
Informação ao minuto

Orbán defende bloco anti-imigração na União Europeia

Orbán classificou Salvini de "herói" por deter a migração na costa italiana (DR)

Após visita do vice-primeiro-ministro italiano à Polônia, líder da Hungria prevê ampliação de uma coalizão de direita dentro da Europa como contraponto ao “eixo franco-alemão”.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ofereceu nesta quinta-feira (10/01) apoio integral à iniciativa ítalo-polonesa de formar uma aliança de direita para as eleições para o Parlamento Europeu marcadas para maio.

A meta de seu país seria obter no órgão legislativo uma maioria anti-imigração, que ele espera que se estenda à Comissão Europeia e mais tarde, com as eleições nacionais, mude o panorama político da União Europeia (UE).

Durante visita a Varsóvia na quarta-feira, o ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, afirmou que seu país e a Polônia uniriam forças numa aliança eurocética, e expressou esperanças de que um “eixo ítalo-polonês” venha a substituir o atual “eixo franco-alemão”.

Segundo Orbán, explica a DW África, a “aliança Varsóvia-Roma” seria “um dos maiores desdobramentos com que este ano poderia ter começado”. Ele classificou Salvini de “herói” por deter a migração na costa italiana. O populista de direita criticou ainda o presidente da França, Emmanuel Macron, descrevendo-o como líder das políticas pró-imigração da Europa.

“Não é nada pessoal, mas uma questão do futuro de nossos países. Se o que [Macron] quer em relação à migração se materializar na Europa, isso seria mau para a Hungria, por isso tenho que lutar contra ele.”

Orbán acrescentou que não vê qualquer chance de um consenso com a Alemanha, cujos políticos e imprensa supostamente o pressionariam demais para que admita migrantes. Ele previu que haverá duas civilizações no continente: uma “que constrói seu futuro sobre uma coexistência mista islâmica e cristã” e outra, na Europa Central, que será apenas cristã.

O populista de direita foi eleito para um terceiro mandato em abril, após uma campanha centrada em políticas anti-imigração e à medida que os eleitores europeus aceitam cada vez mais as agendas populistas.

Embora Salvini tenha afirmado, na quarta-feira, que ele e o líder do partido nacional-conservador polonês Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, concordam na maioria dos temas, políticos de alto escalão da Polônia expressaram reservas quanto a formar uma aliança com o radical de direita italiano, considerado próximo demais da Rússia. O PiS é atualmente o partido com mais representantes no Parlamento polonês.

O ex-ministro do Exterior e deputado Witold Waszczykowski afirmou que “os únicos acertos feitos se referem a encontros e consultações futuros, mas não há arranjos para um acordo, uma criação antecipada de alianças ou clubes conjuntos no Parlamento Europeu”.

Michal Szuldrzynski, comentarista do jornal Rzeczpospolita, afirmou acreditar que durante a visita Salvini escutou mais sobre o que separa seu partido Liga do PiS do que sobre o que os une, e concluiu: “Kaczynski mostrou que não quer ser parte de uma aliança eurocética sob o patronato do Kremlin.”

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »