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Portugal emite 4 mil milhões com taxa de juro abaixo de 2%

A procura superou em quase cinco vezes a oferta e o spread final foi fixado em 112 pontos base acima da taxa de juro de mercado.

O IGCP concretizou esta quarta-feira uma emissão sindicada de dívida a 10 anos (maturidade em Junho de 2029), tendo colocado 4 mil milhões de euros junto de investidores, aceitando pagar um juro com um “spread” de 112 pontos base.

De acordo com os termos finais da operação, que estão a ser citados pela Bloomberg, o livro de ordens fechou com uma procura de 24 mil milhões de euros, o que representa quase cinco vezes o montante emitido: 4 mil milhões de euros. Neste valor estão incluídos 4,15 mil milhões de euros de ordens dadas pelo sindicato bancário responsável pela operação: o BBVA, BNP Paribas, Credit Agricole, Citi, Morgan Stanley e Novo Banco.

O “spread” final foi fixado em 112 pontos base acima da taxa “mid swap” do euro, que está esta quarta-feira em 0,8217%. Desta forma, a taxa de juro final da operação ficará abaixo de 2% e ligeiramente acima da “yield” no mercado secundário, o que é normal neste tipo de operações, pois habitualmente os investidores exigem um prémio adicional nas emissões sindicadas com abertura de novas linhas. Esta que foi hoje aberta será o novo “benchmark” nos títulos a 10 anos.

No mercado secundário a taxa genérica dos títulos a 10 anos está hoje em 1,791%. No último leilão de dívida de obrigações a 10 anos, realizado em novembro com o propósito de juntar fundos para reembolsar o FMI, o IGCP emitiu 752 milhões de euros com uma taxa de 1,908%.

Na emissão sindicada de hoje, o “spread” desceu ligeiramente desde a abertura da operação esta manhã, já que o “initial pricing talks” (IPT) arrancou em 116 pontos base, tendo o “guidance” sido revisto em baixa para 114 pontos base e fechado nos 112 pontos base.

“A atual emissão acabou por ter bastante procura e sai com uma taxa abaixo dos 2%, nos 1,95%, correspondendo a um spread de 112 pontos acima dos mid swap. Portugal mais uma vez consegue emitir divida com uma taxa abaixo do custo médio da sua atual dívida, o que tem vindo a permitir baixar o seu custo médio de endividamento”, refere Filipe Silva, do Banco Carregosa.

Emissões sindicadas sempre em janeiro

É já tradição o IGCP arrancar o ano com uma emissão sindicada de dívida a 10 anos. Na realizada o ano passado, a 10 de Janeiro de 2018, o IGCP também emitiu 4 mil milhões de euros, com um spread de 114 pontos base e um juro de 2,1%.

A operação concretizada hoje tem assim condições mais favoráveis, pois o “spread” é ligeiramente inferior e a taxa de juro final também. A procura dos investidores também foi agora bem mais robusta, pois na do ano passado ficou abaixo dos 20 mil milhões de euros.

Na emissão sindicada realizada em janeiro de 2017, o IGCP colocou 3 mil milhões de euros com uma taxa de 4,227%. Na de janeiro de 2016 emitiu 4 mil milhões de euros.

No ano passado o IGCP concretizou outra emissão sindicada, mas a 15 anos. Foi em Abril que emitiu 3 mil milhões de euros em títulos de dívida com maturidade em 2034, tendo pago um juro de 2,325%.

A operação realizada esta quarta-feira distingue-se das anteriores emissões sindicadas pelo facto de esta ter sido a primeira em que Portugal tem um “rating” acima de “lixo” nas três principais agências de notação financeira. Uma realidade que permite a atração de mais investidores.

Este cenário mais benigno e o contexto de taxas de juro baixas na Zona Euro permitiu que Portugal, em 2018, tivesse baixado os seus custos de financiamento para o nível mais baixo de sempre, sendo que a taxa média da nova dívida emitida entre janeiro e novembro do ano passado situou-se em 1,8%.

Um quarto do previsto para 2019 já está emitido

Na semana passada o IGCP divulgou o seu programa de financiamento para a totalidade deste ano, revelando que pretende emitir 15,4 mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro, o que representa um aumento de 400 milhões de euros face ao que esperava emitir no ano passado.

Dado que hoje já emitiu 4 mil milhões de euros, tem assegurado cerca de um quarto do objetivo para totalidade de 2019.

O IGCP pretende realizar emissões de obrigações todos os meses deste ano, combinando sindicatos e leilões”

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