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Huíla sem salas para actividades culturais

Teatro em alta no Lubango (Foto: JOSÉ FILIPE)

Artistas huilanos reclamam pela falta de espaço apropriado para actividades culturais ( espectáculos musicais e exibição de peças teatrais), para que possam levar ao público consumidor o resultado das suas criações artísticas.

Até 1997, a cidade do Lubango contava com três cine-teatro, nomeadamente o 1º de Maio, no bairro Bula Matadi, e que acolhe hoje uma instituição de ensino superior privado, o Odeon, que se transformou num dos templos da Igreja Universal, e o Arco-Íris, este último tido como um “ex-libris” da urbe, hoje nas mãos de um empresários que tentou reabilita-ló para o transformar numa sala de conferências, cujas obras pararam há mais de dois anos.

A preocupação foi manifestada nesta quinta-feira à Angop, no Lubango, por integrantes de grupos culturais e artísticos, que lamentam a pouca atenção do governo local ao assunto, visto que todos disputam hoje um único espaço, o quintal da Direcção Provincial da Cultura, sem condições acústicas e de acomodação para ser considerado um palco de eleição.

O coordenador da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-EP), na Huíla, Pedro Canga, avançou que na província deixou-se de se apresentar espectáculos com a qualidade desejável, devido a exiguidade de espaços culturais na região com as condições ideais, daí que os artistas fazem-no em locais improvisados, como em pavilhões feitos para actividades desportivas.

Em seu entender, esse factor faz com que o nível de actividades culturais reduza consideravelmente, numa província com valores que devem ser resgatados nas mais variadas disciplinas, como forma de se incentivar os novos talentos a enveredar para as artes, bem como fortalecer o desenvolvimento da cultura no país.

Já a secretária executiva do Movimento Lev ‘Arte, Justina Kibeka, solicitou ao governo que invista em infra-estruturas culturais capazes de dar resposta a várias manifestações culturais, que podem render dinheiro que contribua para o Orçamento Geral do Estado (OGE), para além de resgatar a mística artística da Huíla.

“Qualquer tipo de arte contribui, igualmente, para a diversificação da economia nacional e não havendo infra-estruturas culturais não há condições de desenvolver a cultura nestas paragens”, disse.

Por sua vez o presidente da Associação do Teatro, Osvaldo de Almeida, considerou que apesar de se verificar o crescimento do teatro na província, a situação deve merecer uma atenção especial e urgente por parte do governo provincial ou mesmo da classe empresarial.

O integrante da banda musical Tuimbey, Estivie Correia Victor, também reconheceu haver crescimento da música huilana e não só, mas deve ser auxiliado com a construção de mais casas de espectáculos.

Sobre o assunto, o chefe do Departamento da Cultura e Artes e Património Histórico do sector da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, Bernardino Gabriel, admitiu não haver salas específicas, factor que condiciona a qualidade e o ânimo dos criadores.

Fez saber que no Plano de Desenvolvimento Provincial (2018-2022) consta uma rubrica para a construção de duas casas de cultura, assim como uma escola de artes para a profissionalização dos jovens em distintas disciplinas artísticas.

Apesar de não pormenorizar o valor aprovado e a data da construção das mesmas, afirmou que depois de estarem prontos os projectos afins começam a ser executados.

O sector da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos na Huíla controla 84 grupos de dança, 62 grupos teatrais e 20 bandas musicais que congregam ao todo 242 artistas.

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