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Ali Bongo mantém-se no poder no Gabão

Presidente do Gabão, Ali Bongo, soltou as rédeas do país quando foi vítima de um AVC numa visita à Arábia Saudita (DR)

Quando um grupo de militares ocupou a Rádio Nacional do Gabão na segunda-feira, muitos acharam que o país entraria na “era pós-Bongo”. Mas horas depois o país voltou a estar sob controlo do clã no poder desde os anos 60.

No entanto, a situação política permanece pouco clara. “É muito difícil dizer quem está realmente a controlar o poder no Gabão, porque há muita informação contraditória por parte do Governo e os observadores internacionais estão preocupados porque as forças de segurança e os serviços de inteligência podem estar a desempenhar algum papel neste jogo de poder”, comenta Fonteh Akum, especialista do Instituto de Estudos de Segurança em Dakar (ISSA), citado pela DW África.

O Presidente do Gabão, Ali Bongo, soltou as rédeas do país de dois milhões de habitantes há dois meses, quando foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) numa visita à Arábia Saudita. Desde então, o chefe de Estado de 59 anos está em Marrocos a receber tratamento médico.

Na história política do Gabão, Ali Bongo sucedeu ao pai, Omar Bongo, que se manteve no poder 41 anos, até 2009, em parte impulsionado pelos resultados bem-sucedidos do setor petrolífero.

De músico a Presidente

“Alain” Bernard Bongo nasceu no ano 59 do século passado, mas a pedido do progenitor a família Bongo converteu-se ao islamismo em 1973. “Alain” passou então a chamar-se “Ali” e pouco tempo depois foi estudar Direito para a Universidade Sorbonne, em Paris.

Nos primeiros anos fora de casa, dedicou-se à música e chegou a gravar discos. No entanto, isso não o impediu de entrar na política de forma ativa quando regressou ao Gabão. Rapidamente tornou-se ministro dos Negócios Estrangeiros e depois assumiu a pasta da Defesa.

Após a morte do pai, Ali Bongo candidatou-se às presidenciais, vencendo com grande margem. Apesar das acusações de irregularidades no processo eleitoral, as instâncias judiciais nunca o conseguiram provar. Nos primeiros anos no poder, Ali Bongo esforçou-se para modernizar o país.

“Ao nível político, tentou modernizar o Partido Democrático (PDG). E a nível económico, uma das medidas mais importantes foi a proibição de exportação de madeira tropical não processada do Gabão”, lembra o jornalista e Seidick Abba.

Segundo o escritor nigeriano, “essa medida teve importantes implicações para o desenvolvimento sustentável do setor madeireiro”. No geral, acrescenta, Ali Bongo também tentou diversificar os parceiros económicos do Gabão.

Especulações sobre estado de saúde

A reeleição de Ali Bongo como Presidente em 2016 gerou tumultos. Se na primeira eleição, em 2009, Bongo tinha o apoio de França, em 2016 não foi bem assim. “A França tinha outro Presidente em 2009: Nicolas Sarkozy era um aliado do clã Bongo. O Presidente seguinte, François Hollande, interferiu muito menos nas eleições em 2016. Houve uma mudança em relação ao Gabão entre Sarkozy e Hollande”, conta Fonteh Akum.

Dois anos depois, em outubro de 2018, Ali Bongo sofre um AVC. O desaparecimento político do Presidente, alimentado por especulações e boatos geraram caos e vazio de poder.

Mas, pelo menos por agora, o Gabão continua nas mãos do clã Bongo. O líder da tentativa de golpe de Estado de segunda-feira (07.01), o tenente Kelly Obiang, foi detido quando tentava escapar da estação de rádio que tomou de controlo. Dois soldados rebeldes foram abatidos.

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