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RDC: Igreja adverte que “irregularidades” podem “irritar o povo”

DW África

Sede da Cenco em Kinshasa (DR)

Igreja Católica na República Democrática do Congo diz que uma eventual revolta da população devido a irregularidades nas eleições será responsabilidade da CENI. Comissão ainda não tem data para divulgar resultados.

A Igreja Católica na República Democrática do Congo (RDC) advertiu este domingo (06.01) que “são as irregularidades” que podem “irritar a população” e levar à sublevação caso os resultados das eleições de 30 de dezembro desvirtuem “a verdade das urnas”.

Em carta enviada à Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), o presidente da Conferência Episcopal Nacional do Congo (Cenco), o arcebispo Marcel Utembi, afirmou que “será da responsabilidade da CENI” se houver “uma revolta da população” congolesa.

“São as irregularidades que podem irritar a população e o mais grave será publicar os resultados, ainda que provisórios, que não se conformam com a verdade”, escreveu Marcel Utembi, na carta a que teve acesso a Rádio Okapi, que emite no âmbito da missão das Nações Unidas na RDC.

Observadores e oposição referem que as primeiras eleições livres desde a independência da Bélgica, em 1960, registaram irregularidades.

Troca de acusações

A missiva da Cenco foi redigida em resposta à CENI, que acusou a Cenco de “intoxicar a população”, depois de ter revelado, na quinta-feira (03.01), que indicações verbais recolhidas em centros de votação permitiram à Igreja Católica saber quem será o sucessor de Joseph Kabila na Presidência da RDC.

No sábado (05.01), a CENI adiou para “a próxima semana” a divulgação dos resultados das eleições na RDC, quando estavam apurados quase 50% dos votos.

Entretanto, numa conferência de imprensa convocada este domingo, em Kinshasa, a Comissão Nacional Eleitoral Independente não anunciou nenhuma nova data para a divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais.

O presidente da CENI, Corneille Nangaa, disse que a comissão apurou apenas pouco mais de metade dos votos e insistiu várias vezes no pedido para que os funcionários da CENI sejam autorizados a “trabalhar”, denunciando, entre outras coisas, as “ameaças” dos diplomatas.

À margem da conferência, Nangaa disse à agência de notícias France Presse que ponderou demitir-se do cargo na semana passada, em pleno processo eleitoral, devido à lentidão do processo de recolha dos resultados das assembleias de voto através dos 179 “centros de compilação locais” do CENI em todo o país, numa altura em que as autoridades cortaram, por razões de segurança, o acesso à internet desde segunda-feira.

Tensão eleitoral

Nas eleições de 30 de dezembro, cerca de 40 milhões de eleitores estavam inscritos para eleger o sucessor de Kabila – no poder desde 2001 e impedido constitucionalmente de recandidatar-se -, os deputados da Assembleia Nacional e os representantes provinciais.

As eleições na RDC, inicialmente previstas para 2016, não se realizaram em todo o território em 30 de dezembro, uma vez que a CENI decidiu adiar para 19 de março o ato eleitoral nas cidades de Beni, Butembo e Yumbi, devido à epidemia do ébola e aos conflitos dos grupos armados.

Nesta região, atua o grupo armado Forças Democráticas Aliadas, que tem desenvolvido várias ações, o que afeta as operações de socorro às vítimas do vírus ébola.

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