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Moçambique: Ananases a apodrecer na Zambézia por falta de compradores

Produtores e vendedores de ananás em Nicoadala, na província da Zambézia, deitam ao lixo centenas de ananases por falta de compradores. As autoridades admitem que a situação lhes tira o sono.

Segundo informa a DW África, por ano a população produz mais de 30 mil toneladas de ananás, mas muita fruta, principalmente mangas e ananases, acabam por apodrecer e ir parar ao lixo. A maioria dos compradores deste tipo de fruta são passageiros de veículos de transporte que compram no máximo um a três ananases a cerca de um euro.

Os produtores pedem às autoridades que construam uma fábrica para processar sumos. “Vendemos três ananases a 50 meticais ou 4 a 100 meticais [cerca de 1,50 euros]. Tiramos muito ananás, mas os clientes não aparecem. Vendemos muito barato. O mal é não haver uma fábrica”, lamenta Neto Carlos, um dos produtores da região.

A opinião é partilhada por Armando Waraquia, também produtos e vendedor: “Estamos a sofrer, não temos clientes e não temos nada. As pessoas que conseguem produzir não têm rendimento. O ananás apodrece e é para deitar fora. Os homens correm na estrada alcatroada ate já foram atropelados”.

Preocupações dos comerciantes

Na província da Zambézia, não há nenhuma fábrica que processe sumos. Osvalda Fernando, uma das produtoras de ananás bem-sucedida na região, tem mais de 20 mil plantas e colheu cerca de três mil ananases na primeira semana de dezembro. No entanto esta comerciante teme que os ananases ainda por colher estejam putrificados por falta de compradores grossistas.

O porta-voz, da Direção Provincial da Agricultura da Zambézia, Carlos André Tocotala, diz que a falta de fábricas na Zambézia não é apenas uma preocupação para os produtores de ananás, mas também para o Governo que está a tentar criar parcerias. “É essa preocupação que nos tira o sono. Se um dia tivermos uma indústria processadora de ananás, nós como a Direção Provincial, mas também produtores terão mais-valias e sairemos todos a ganhar”, comenta.

A população da província da Zambézia consome sumos importados, o que não faz sentido aos olhos de Carlos André Tocotala. “Poderíamos produzir sumos, o que elevaria a contribuição desta cultura para a economia da província e dos distritos”, comentou.

Como o produto apodrece, “a tendência é de se reduzir o preço de comercialização”, para escoar a fruta, o que segundo Tocotala não é justo, porque os custos de produção do ananás exigem investimento.

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