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Ditador egípcio quer proibir CBS de emitir entrevista consigo próprio

O general Abdel Fattah el-Sisi concedeu uma entrevista à cadeia de televisão norte-americana CBS, reconsiderou e quis impedir a sua emissão. A CBS afirma que vai emiti-la, de qualquer modo, no domingo à noite.

A entrevista, com a duração de 60 minutos, foi conduzida pelo jornalista Scott Pelley. Uma hora depois, uma chamada da Embaixada egípcia em Washington para a CBS proibia-a de emitir a gravação. Segundo o site da cadeira televisiva, a entrevista será emitida no domingo, 6 de janeiro, às 19h locais.

Aparentemente, Sisi falou com demasiada franqueza e foi demasiado verdadeiro nas respostas a algumas perguntas do jornalista. Um dos temas candentes foi, naturalmente, o das relações com Israel. O acordo de paz assinado em 1979 entre o Egipto e Israel é altamente impopular no poderoso país árabe que na segunda metade do século XX sofreu quatro humilhantes derrotas militares face a Israel (1948, 1956, 1967 e 1973).

Por isso mesmo, os governos egípcios têm procurado minimizar o significado do acordo e ocultar muitas das suas implicações práticas. Em Fevereiro de 2018, por exemplo, o New York Times afirmava que no lapso de dois anos a Força Aérea israelita tinha bombardeado mais de uma centena de vezes a península egípcia do Sinai para atingir posições do “Estado Islâmico”, e acrescentava que esses bombardeamentos, entretanto já rotineiros, se faziam sempre com o consentimento egípcio.

Na altura desmentido oficial egípcio não se fez esperar. Mas agora o presidente egípcio admitiu, ao entrevistador da CBS: “É verdade. Mantemos uma colaboração de grande alcance com os israelitas”. E confirmou, especificamente, que essa colaboração tem o Sinai como um dos seus cenários mais importantes.

Além do tema sempre sensível das relações israelo-egípcias, o ditador do Cairo teve pelo menos uma outra derrapagem que poderá estar na origem do seu surpreendente veto à emissão da entrevista. Ele negou, nomeadamente, que existam presos políticos no Egipto, quando uma organização como a Human Rights Watch calcula que existam uns 60.000, regularmente sujeitos a torturas e a execuções extra-judiciais. O próprio Departamento de Estado dos EUA admite que a tortura e as execuções são tão frequentes sob o regime de Sisi como eram antes.

Outra questão incómoda terá sido a que se referia ao massacre de quase um milhar de manifestantes civis, que em 2013 protestavam contra o golpe militar quando o agora presidente exercia o cargo de ministro da Defesa. À pergunta sobre se fora ele a dar a ordem fatídica para se abrir fogo contra o manifestantes, Sisi respondeu: “Havia milhares de pessoas armadas na concentração que durava havia mais de 40 dias. Nós tentámos dispersá-las por todos os meios pacíficos”.

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