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Internet foi cortada para evitar intoxicação maliciosa na RDC – André Liongo

No rescaldo das eleições gerais, incluindo a eleição presidencial, a contagem manual de votos continua. É nesse contexto que o governo cortou o acesso à Internet. Para evitar o pior, de acordo com André Alain Atundu Liongo, o porta-voz da maioria presidencial, avança o Congo Actual.

“O corte não está lá para contrariar a publicação dos resultados das assembleias de voto, mas para evitar intoxicações maliciosas e mal-intencionadas”, justificou a agência de notícias alemã Deutsche Welle, André Alain Atundu Liongo, o porta-voz da Maioria Presidencial.

Segundo Liongo, a internet e as redes sociais levaram a um “novo crime” de manipulação e “manobra de intoxicação de pessoas” e que, diante disso, era necessário “tomar medidas apropriadas”.

“As redes sociais são uma manobra de envenenamento de pessoas que têm a continuação nas ideias que devem reconhecê-lo, embora em si mesmas, queiram uma transição sem Kabila já que estão intimamente convencidas de que pelas urnas não conseguirão passar […] A passagem pacífica e a verdade das urnas são muito mais importantes que estas pequenas intoxicações do género. Deixem o Ceni fazer o seu trabalho, já mostrou a sua seriedade e não é porque somos a maioria que você não pode vencer”, disse ele.

Sobre como o próprio Ceni opera sem internet e se havia risco de atraso na publicação das primeiras tendências, o porta-voz da maioria referiu a questão ao Ceni. “Você está me fazendo a pergunta? Eu não sei. Esta questão sobre as implicações da interrupção da Internet sobre a publicação dos resultados, é necessário solicitá-lo a Ceni. ”

Reações à paralisação do acesso à Internet provocaram uma avalanche de críticas de várias associações, incluindo a ACAJ, que denuncia a opacidade e os riscos de manipulação dos resultados, fazendo com que “o processo eleitoral não seja crível” e Israel Mutala, presidente da associação de mídia online da RDC, fala de uma decisão lamentável e liberticida que coloca “a maior parte dos trabalhadores neste setor” sem trabalho.

“Lamento saber que cortamos a internet”, disse Donatien Nshole, secretário-geral da Conferência Episcopal (Cenco).

Sem Internet até 6 de Janeiro

Segundo a RFI, a Internet e SMS estão bloqueados na República Democrática do Congo até 6 de janeiro, dia em que a CENI deverá anunciar os resultados provisórios das eleições gerais de 30 de dezembro.

Desde esta segunda-feira (31/12) e até dia 6 de janeiro a rede internet e os serviços de mensagens estão bloqueados em todo o território da República Democrática do Congo, bem como a difusão da RFI neste país.

Para as autoridades congolesas este bloqueio tem o objectivo de “preservar a ordem pública…dado que começaram a circular resultados ficícios…que nos poderiam conduzir ao caos, afirmou Kikaya bin Karubi, um do conselheiros do Presidente Joseph Kabila.

Certo é que o corte da internet apanhou todos de surpresa, incluindo os actores económicos como bancos e outras instituições não financeiras, que não foram avisados.

Para a oposição que clama vitória, este bloqueio é liberticida e um atentado à liberdade, denuncia fraudes massiças, acusando o poder cessante de conspirar, para garantir a vitória do seu candidato, o antigo ministro do interior Emmanuel Ramazani Shadari, face aos opositores Martin Fayulu dado como favorito e Félix Tshisekedi.

O calendário eleitoral prevê que dia 6 de janeiro sejam divulgados os resultados provisórios das eleições gerais de 30 de dezembro, que além de designarem o sucessor do Presidente Jospeh Kabila – no poder desde 2001 – e que deverá tomar posse a 18 de janeiro, vão determinar quem serão os 500 membros do parlamento e os deputados locais para as 26 províncias do país, incluindo a capital Kinshasa, um total de 780 deputados serão eleitos.

Em comunicado conjunto esta terça-feira (1/01) a União Europeia e os Estados Unidos pedem às autoridades congolesas que desbloqueiem a rede internet e o acesso aos media e acesso de observadores ao centro de compilação dos resultados eleitorais.

O cidadão português Paulo Belchior residente há cinco anos em Kinshasa, admite que a situação é “complicada para a comunidade” e segundo ele o “bloqueio da internet poderá durar até ao final de janeiro”, pois “quando há perigo de usar as redes sociais para causar alguns distúrbios, o governo pura e simplesmente corta”.

Já o cidadão angolano António Alexandre Nzita, que reside há mais de 40 anos na República Democrática do Congo, onde começou por ser refugiado é mais peremptório, considerando que o bloqueio da internet significa que “eles querem fazer fraude” porque as eleições “não passaram bem…devido à falta de máquinas e eles não querem que isso se saiba no mundo inteiro”.

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