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Isolado pela crise na Nicarágua, Ortega se volta contra oposição

AFP

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Pressionado pela comunidade internacional que lhe pede mudanças democráticas, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, endureceu sua posição com a expulsão de duas missões de direitos humanos, enquanto se volta contra a sociedade civil e a imprensa independente – disseram analistas ouvidos pela AFP.

Duas missões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foram expulsas na quarta-feira, acusadas de ingerência no país, em meio à onda de condenações internacionais pelo fechamento de organizações civis, de direitos humanos e veículos da imprensa.

Essas ações são “atos desesperados” de Ortega e uma tentativa de “mostrar que está forte e que as pressões externas não o afetam”, disse à AFP José Pallais, que foi chanceler no governo de Enrique Bolaños (2002-2007).

A expulsão das missões da CIDH e a negativa a fazer mudanças democráticas “são uma ruptura com todo o sistema internacional de defesa e supervisão de direitos humanos. Ortega não quer continuar sob escrutínio”, afirmou Pallais.

Depois da saída, na quinta-feira, dos representantes do Mecanismo Especial de Acompanhamento para Nicarágua (Meseni) e do Grupo Interdisciplinar de Especialista para Investigação (GIEI), “os nicaraguenses estão em um estado de desamparo total”, considerou Marcos Carmona, presidente da Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH), uma das poucas organizações que continuam a funcionar, após o fechamento do Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos (Cenidh).

Os Estados Unidos aplicaram sanções a seis pessoas do círculo mais próximo de Ortega, incluindo sua mulher e vice-presidente Rosario Murillo.

Além disso, a Nicaraguan Investment Conditionality Act, lei conhecida como “Nica Act”, que impedirá que o país tenha acesso a créditos de organismos multilaterais, foi firmada nesta quinta-feira pelo presidente Donald Trump.

“Em um momento em que o povo da Nicarágua sofre há 8 meses a repressão de Ortega e seus cúmplices, o presidente promulgou minha #NICAAct para fazer o regime prestar contas”, tuitou a congressista republicana Ileana Ros-Lehtinen, promotora da iniciativa.

O jornalista Carlos Fernando Chamorro, um crítico ferrenho de Ortega, considerou que “estamos em uma crise terminal”. Para ele, o presidente levou o país para “o precipício (…), destruindo a economia e a convivência, e só pode se manter pelo terror”.

A Polícia revistou e ocupou as redações do jornal digital Confidencial e seus programas de televisão Esta Semana e Esta Noche, de Chamorro.

– Economia em apuros –

Um ex-guerrilheiro de 73 anos que ajudou a derrubar a ditadura de Anastasio Somoza em 1979, Ortega descartou antecipar as eleições de 2021 para 2019, como propuseram os bispos católicos durante a mediação de um frustrado diálogo com a oposição.

Ele também se negou a fazer reformas institucionais para sair da crise política que, em oito meses, deixou mais de 320 mortos, centenas de detidos e milhares de refugiados em países vizinhos.

Uma economia que projetava um crescimento de 4,9% para este ano se contrairá 4% pela crise, segundo o Conselho Superior da Empresa Privada (Cosep), que fala em perdas milionárias, além do fechamento de mais de 7.000 pequenos e médios negócios e da perda de mais de 400.000 vagas de trabalho.

Segundo os empresários, em 2019, a economia se contrairá 11%, se não houver uma saída para a crise política.

No governo desde 2007, Ortega é acusado de corrupção por seus adversários, assim como de instalar uma ditadura junto com sua mulher.

O governo “está totalmente isolado, mas eles (Ortega e Murillo) negam a realidade, dizendo que está tudo bem, que vai ter um Natal maravilhoso, e isso não pode continuar assim”, afirmou o cientista político José Peraza.

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