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17 de Dezembro de 1663: Morre a célebre Rainha Njinga

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Dados bem avançados atestam a provável data do nascimento da Rainha Njinga, em 1582. Todos os registos consultados até hoje apontam que era bela, muito linda e inteligente, a negra.

Filha do Soberano Njinga a Mbande Ngola a Kilwanji Kya Samba e de Kengela a Khangombe. Todavia, ela, de seu nome completo Njinga Kangola a Mbande (kangola significa príncipe ou princesa) nasce num período conturbado em que os portugueses completavam cem anos de permanência em Angola e fustigavam fortemente pelas armas, a terra de seu pai, o Reino do Ndongo, sede do império Ngola, para dela se apossarem e continuarem com o sequestro de negros que eram transformados em escravos.

Sete anos depois, a 9 de Maio de 1589 morre em combate, em Kambambi, o pior inimigo de seu pai, ou seja Paulo Dias de Novais, o português que (a)fundou a cidade de Luanda. Ngola a Kilwanji morre em 1617 e lhe sucede no trono, o filho, irmão de Njinga, Ngola a Mbande. A guerra dos portugueses para a tomada definitiva do Ndongo continuou, assim que em 1622, Njinga que na altura residia na região do Lukala vem a Luanda negociar o primeiro acordo de paz, com os portugueses.

Com a morte de Ngola a Mbande, em 1626, Njinga toma o poder e com um poderoso exército criado clandestinamente ataca os portugueses, com o objectivo de expulsa-los de Angola e acabar com o tráfico de escravos. Nesta primeira tentativa, ela quase que consegue, não fosse o Governador Fernão de Sousa eleger o capitão Bento Banha Cardoso com um grande aparato militar europeu de última geração.

Este arsenal derrota por completo a Rainha, pois que são mortas todas as chefias militares dela e aprisionada toda a sua Côrte e como que, por milagre, até hoje impossível de desvendar, só ela consegue se escapar, em 25 de Maio de 1629.

Três meses depois , já ela está recuperada. A Rainha monta uma emboscada fatal em Kindonga. Numa luta titânica, Njinga vence o exército de Banha Cardoso e vinga-se, da humilhação porque passou. Nesta mesma altura, Banha Cardoso viria a falecer.

De 1641 a 1647, com ajuda dos holandeses, quase que expulsa novamente os portugueses desta parcela de África. Mas, de Julho a Agosto de 1648, do Brasil vem uma armada chefiada por Salvador Correia de Sá. Este, numa perseguição impiedosa lhe impõe uma forte guerra que salva novamente os portugueses e expulsa os holandeses de Luanda. Embora ela soube sempre defender-se dos ataques do Capitão Brasileiro que era sobrinho de Estácio de Sá, mesmo assim, seu sonho de correr com os invasores/sequestradores ficou mais uma vez adiado.

Em 12 de Outubro de 1656, ela assina o último tratado de paz com os portugueses e sete anos depois, a 17 de Dezembro de 1663 morre, aos 82 anos. Costuma-se dizer que, para aquele tempo e pela vida sem tréguas que levou pode-se considerar que Njinga morreu, de idade avançada, sem nunca ter sido morta ou capturada, como era desejo persistente dos europeus.

O mais curioso é que, mal os portugueses se aperceberam da sua morte lançaram uma ofensiva de grande envergadura, para conseguir o que não conseguiam, quando Njinga em vida. Deste modo, sete mil homens que pertenciam a guarda da Rainha foram capturados e por vingança levados como escravos, para o Brasil.

Mas, o sonho de Njinga, em expulsar os invasores vai ser concretizado, no dia 11 de Novembro de 1975, com a proclamação da independência de Angola, após 312 anos, da sua morte.

Por John Bella Bela

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