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Sonda chinesa já está a caminho da face oculta da Lua

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Chang’e-4 foi lançada esta sexta feira à tarde do Centro Espacial de Xichang. O lado negro do satélite terrestre vai deixar de ser desconhecido.

Segundo informa o Diário de Notícias, eram seis e meia da tarde de sexta, 7 de dezembro, quando Pequim confirmou a notícia. A sonda não tripulada Chang’e-4 está a caminho do espaço. Dirige-se à face oculta da Lua, o lado que os terrestres nunca conseguem ver no seu satélite. É mais um triunfo do expansão espacial chinesa.

Até aqui era impossível tecnologicamente chegar àquele lado do astro. Agora, se tudo correr bem, a sonda (batizada com o nome de uma deusa chinesa que habita a lua) deverá alunar nos primeiros dias de janeiro.

A China é então a primeira do mundo a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o “lado negro da Lua”, onde pretende testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre, de acordo com um artigo da revista científica Nature

O local provável de alunagem da sonda e do veículo robotizado será a cratera Von Kármán, situada na bacia do Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga depressão na Lua e uma das maiores zonas de impacto do Sistema Solar.

“É uma área-chave para dar resposta a várias questões sobre a história da formação da Lua, incluindo a sua estrutura interna e a evolução da sua temperatura”, afirmou, citado pela Nature, o investigador Bo Wu, da Universidade Politécnica de Hong Kong, que descreveu a topografia e a geomorfologia da cratera.

O veículo robótico da Chang’e-4 está preparado para realizar diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espetrómetro a composição mineral à superfície.

A sonda, equipada também com vários instrumentos, irá estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à microgravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 irá usar o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação direta com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da “Chang’e-4 seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

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