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França desiste de aumento de imposto sobre combustíveis mas protestos continuam

Reuters / Por Michel Rose e Jean-Baptiste Vey

O governo do presidente francês Emmanuel Macron está retirando aumentos nos impostos sobre combustíveis previstos no orçamento do ano que vem diante dos protestos no país contra o alto custo de vida, segundo disse seu primeiro-ministro na quarta-feira, um dia após anunciar a suspensão das tarifas por seis meses.

O governo Macron luta para acabar com a raiva dos “coletes amarelos”, no desenrolar dos protestos do último sábado, os piores na região central de Paris nas últimas cinco décadas.

“O governo está pronto para o diálogo e mostrando isso porque este aumento de impostos não estará no orçamento para 2019”, disse o primeiro-ministro, Edouard Philippe, na câmara inferior do parlamento.

A concessão foi a última tentativa de superar a pior crise da presidência de Macron.

Seu governo havia indicado anteriormente que poderia também retomar um imposto sobre fortunas que Macron havia diminuído no ano passado para que cobrisse apenas activos imobiliários, o que levou à críticas de que ele seria “o presidente dos ricos”.

Um assessor de Macron negou que qualquer eventual revisão do imposto sobre fortunas represente um recuo de Macron, um ex-banqueiro de investimentos, acrescentando que o presidente continua comprometido com suas propostas de reformas.

O porta-voz do governo Benjamin Grivet disse que todas as medidas relacionadas a impostos precisam ser periodicamente avaliadas e, se fosse percebido que não funcionam, devem ser alteradas. Ele disse que o imposto sobre fortunas pode ser reavaliado na segunda metade de 2019.

“Se uma medida que tomamos, que está custando dinheiro público, não estiver funcionando, se não estiver indo bem, não somos estúpidos – nós mudaríamos de ideia”, disse Griveaux à estação de rádio RTL.

Os distúrbios por conta do aperto nos orçamentos domésticos acontece após dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostrarem que a França se tornou o país com maior carga de impostos no mundo desenvolvido, ultrapassando inclusive a Dinamarca, conhecida por sua alta carga tributária.

Griveaux disse depois que Macron pediu a todos os partidos políticos, sindicatos, e líderes empresariais para que fosse enfatizada a necessidade para se ter calma.

No entanto, protestos de estudantes e greves planeadas de sindicatos de sectores de energia e portos para a semana que vem não indicam a diminuição do actual clima de combatividade.

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