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Audição de chefe da CIA reforça suspeita de senadores sobre sauditas no caso Khashoggi

Os senadores norte-americanos que saíram da audiência com a diretora da CIA, Gina Haspel, realizada na terça-feira no Senado, declararam-se ainda mais convencidos da responsabilidade do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, no assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, avança o Sapo 24 que cita a Lusa.

O presidente da comissão senatorial dos Negócios Estrangeiros, Bob Corker, um republicano eleito pelo Estado do Tennessee, afirmou que acredita se que Bin Salman fosse a julgamento seria declarado culpado “em cerca de 30 minutos”.

Outro senador republicano, Lindsay Graham, eleito pela Carolina do Sul, que pediu a reunião, juntamente com Haspel, referiu que havia “zero hipóteses” de Mohammed bin Salman não estar envolvido no assassínio de Khashoggi.

“Não há uma pistola fumegante. Há uma serra fumegante”, salientou Graham, referindo-se a relatórios do Governo turco de que os agentes sauditas usaram uma serra de cortar ossos para desmembrar o corpo de Khashoggi, depois de este ter sido assassinado no consulado saudita em Istambul.

“Você teria de querer ser necessariamente cego”, sublinhou o senador, para concluir que esta morte não foi orquestrada e organizada por pessoas sob a direção de Bin Salman.

Mas o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, tem tergiversado sobre quem deve ser responsabilizado pelo assassínio, frustrando os senadores que procuram formas de punir o velho aliado saudita.

Na semana passada, o Senado aprovou a continuação de uma iniciativa legislativa que visa reduzir o apoio dos EUA ao esforço saudita na guerra que conduz no Iémen.

É incerto se esta iniciativa avança. Aquela votação vai permitir o seu debate, que deve ocorrer na próxima semana, mas os senadores estão a negociar o texto.

Haspel reuniu-se na terça-feira com um pequeno grupo de senadores, incluindo os presidentes e principais representantes dos democratas em importantes comissões senatoriais sobre segurança, depois de senadores dos dois partidos se terem queixado da sua ausência na reunião havida na semana passada com os secretários de Estado, Mike Pompeo e da Defesa, Jim Mattis.

Pompeo e Mattis tentaram dissuadir os senadores da intenção de punir os sauditas, alegando que o envolvimento dos EUA na guerra do Iémen é central no objetivo mais global do Governo de conter a influência iraniana no Médio Oriente.

Os dois secretários também repetiram a relutância de Trump em acusar o príncipe herdeiro saudita.

Depois deste encontro, Graham ameaçou suspender o seu voto em legislação relevante até que ouvisse a diretora da CIA.

“Não vou dispensar isto”, garantiu.

Nessa tarde, os senadores, frustrados com a reunião com Pompeo e Mattis e a falta de respostas ao assassínio de Khashoggi, votaram por expressiva maioria bipartidária, por 63 votos a favor contra 37, a continuação da iniciativa legislativa sobre o Iémen.

O senador Richard Durbin, um democrata eleito pelo Estado do Ilinóis, afirmou que a reunião com Haspel “evoluiu claramente para a avaliação da informação” e foi muito mais informativa.

“Acredito agora que o príncipe herdeiro foi responsável diretamente ou pelo menos cúmplice e os meus instintos foram reforçados pela informação que nos foi dada”, disse.

Khashoggi foi assassinado há dois meses. O jornalista, que vivia há algum tempo nos EUA e escrevia para o Washington Post, era crítico do regime saudita. Foi assassinado no que dirigentes norte-americanos descreveram como um plano secreto elaborado, quando visitou um consulado para tratar de documentação para o seu casamento.

Os serviços de informações norte-americanos concluíram que Bin Salman, pelo menos, teria de saber do plano, mas Trump tem sido relutante em responsabilizá-lo.

Em contrapartida, tem elogiado os negócios de venda de armas dos EUA aos sauditas, a quem agradeceu recentemente pela queda dos preços do petróleo.

Em artigo de opinião, publicado no Wall Street Journal, Graham escreveu que o assassínio de Khashoggi, a par de outras decisões do regime saudita, mostra “um aterrador direito à arrogância” e desrespeito pelo direito internacional.

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