- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Destaques João Lourenço regressou de Portugal com problemas de cerca de 70 mil...

João Lourenço regressou de Portugal com problemas de cerca de 70 mil angolanos na bagagem

Os angolanos residentes em Portugal expuseram ao Presidente da República, João Lourenço, alguns dos problemas que afectam a comunidade, num encontro iniciado com quatro horas de atraso e que deixou várias perguntas sem resposta, “para uma análise mais aprofundada em Luanda”.

Sete membros da comunidade angolana em Portugal, em representação de estudantes, doentes, antigos combatentes e religiosos, entre outros grupos, dirigiram-se ao Presidente da República, João Lourenço, para apresentar as suas preocupações e apelar a uma maior intervenção do Executivo na diáspora.

O momento aconteceu na última sexta-feira, 23, em Lisboa, no segundo dia da já encerrada visita do Chefe de Estado a Portugal, e, apesar de ter começado com um atraso de quatro horas, não desmobilizou os cerca de 300 presentes, cuja “paciência e compreensão” foram destacadas pelo Chefe de Estado.

“Desculpem-me, mas entre fazer esperar os nossos ou o Presidente da República de Portugal a escolha foi fácil”, disse João Lourenço, explicando que foi “desviado” do encontro com a comunidade angolana, estimada pelas autoridades nacionais em cerca de 70 mil elementos, por causa de um compromisso com o homólogo Marcelo Rebelo de Sousa.

“As minhas desculpas por vos ter colocado nesta sala muitas horas à espera”, reforçou o Chefe de Estado, que era aguardado às 16h30 mas chegou já depois das 21h.

Para juntar ao desgaste da espera – entretido por um cocktail e breves momentos musicais- , o tempo disponibilizado para cada uma das sete intervenções programadas foi de apenas três minutos, considerado insuficiente pelo próprio Presidente da República.

“Pelo facto de os intervenientes terem trazido as suas intervenções escritas, agradecemos que nos entreguem para que possamos analisar com maior profundidade”, sugeriu o Chefe de Estado, remetendo vários pontos “para uma análise mais aprofundada em Luanda”.

Entre as questões que ficaram sem resposta contam-se, por exemplo, a regularização da situação dos antigos combatentes e veteranos da pátria presentes em Portugal, nomeadamente no que se refere a promoções, bem como a questão dos subsídios atribuídos aos doentes que estão a receber tratamentos no âmbito da Junta Médica.

A problemática dos estudantes, exposta pelo Núcleo de Estudantes do Fórum da Juventude Angolana em Portugal, também deixou temas por abordar, nomeadamente no que se refere ao acompanhamento de todos – e não apenas dos bolseiros.

Jovens apelam a enquadramento profissional, PR lembra que sistema do partido único terminou

Já no que se refere às transferências bancárias, o Presidente da República garantiu que as dificuldades estão a ser ultrapassadas.

“Temos a garantia de resolver o problema da escassez da divisa euro [mais] do que a divisa dólar. Portanto, há mais garantia para quem reside em Angola de proximamente termos esse problema resolvido, e com capacidade de voltarmos a fazer as transferências que se faziam no passado”, antecipou João Lourenço durante o encontro com a comunidade angolana, depois de ouvir a reclamação dos estudantes.

“A legalização do estudante angolano em Portugal tem sido um problema recorrente, e com alguma gravidade, porque a situação de dívida nas universidades impossibilita a renovação do título de residência e dificulta que muitos possam em alternativa arranjar um emprego para minimizar a situação”, transmitiu o Fórum da Juventude Angolana, reiterando o apelo para desbloqueio das transferências bancárias, anteriormente lançado pela Associação de Estudantes Angolanos em Portugal.

Os jovens também questionaram o Executivo em relação à estratágia para integração de novos quadros recém-formados na diáspora, ouvindo de João Lourenço que não podem ficar à espera que as oportunidades de emprego venham da administração pública.

“As pessoas não podem ficar a contar que uma vez concluída a sua formação têm colocação garantida nalguma instituição do Estado. Já foi assim no tempo do partido único, mas estamos numa economia de mercado. Os quadros devem eles próprios apresentar as suas capacidades”, sustentou o Presidente da República.

Saúde deve melhorar em Angola para evitar tratamentos no exterior

Igualmente confrontado com as necessidades dos doentes angolanos em Portugal, João Lourenço, prometeu debruçar-se sobre o dossiê, mas lembrou que a estratégia do Executivo para a Saúde prioriza o investimento em Angola e não no exterior.

“O país recorreu a esta solução da junta médica suportada pelo Estado na situação de conflito armado, em que não havia investimento quase nenhum do país na Saúde, mas esta situação começa a ficar ultrapassada. Vamos concordar que a solução não é o Estado gastar muitos recursos mandando os doentes para fora, mas investir internamente, no sentido de reduzir a necessidade de os nossos doentes se tratarem fora das suas fronteiras”, defendeu o titular do poder Executivo, garantindo, porém, que os doentes na diáspora não serão esquecidos.

“É evidente que tem de haver um período de transição. Temos de ter sentido de responsabilidade”, apontou.

O Presidente da República prometeu ainda dar resposta à necessidade de documentação expressa por alguns dos presentes, nomeadamente pela Casa de Angola em Aveiro – “as autoridades angolanas estão a criar condições para que no início do ano se instalem postos fixos em Portugal para a emissão dos documentos fundamentais” -, mas não teceu considerações sobre a possibilidade de criação de um Centro de estudos sobre a História de Angola, proposta pelo Fórum da Juventude Angolana. Para colmatar “um défice elevadíssimo do conhecimento da nossa História, que se traduz no enfraquecimento do espírito patriótico”.

O Chefe de Estado também não se pronunciou sobre os apelos à adopção e regras que inibam generais e deputados de acumularem as funções no Estado com a condução de negócios.

Numa análise global dos problemas que lhe foram apresentados, João Lourenço considerou muitos decorrem do facto de “a nossa economia não dar respostas a esses mesmos problemas”.

Com destaque para o problema das transferências bancárias, atrasadas porque “a economia não está a gerar divisas suficientes para satisfazer as necessidades do país”. (Novo Jornal Online)

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.